Guto Ferreira acertou seu retorno ao Ceará no dia 29 de junho. De lá para cá, o Vozão fez seis partidas. Foram duas vitórias, dois empates e duas derrotas, com seis gols marcados e cinco sofridos. Números esses que justificam a posição da equipe na tabela da Série B (décimo colocado com 29 pontos). O empate contra o Ituano, em partida disputada nesta sexta-feira (28), na Arena Castelão, acabou deixando a sensação de que o Ceará está andando em círculos nessa temporada. Apesar do título da Copa do Nordeste, a caminhada do time de volta à elite do Brasileirão vem sofrendo golpes duros. Vários destes provocados pelos erros do próprio Vozão em jogos onde o contexto é favorável.
É verdade que o recorte de seis jogos ainda é muito pequeno para se fazer avaliações mais profundas sobre o trabalho de Guto Ferreira. Certo é que o cenário não é dos melhores. Os bastidores no clube pouco ajudam e o clima entre jogadores e torcida fala por si só. Não é por acaso que “Gordiola” vem apostando na simplicidade nesse seu retorno ao Ceará. Contra o Ituano, o treinador apostou no velho e usual 4-2-3-1 com muita força na transição para o ataque. A diferença é que Guto Ferreira vem buscando opções dentro do elenco que tem à sua disposição no clube.
Ao invés de apostar em dois pontas velozes pelos lados do campo, o treinador do Vozão apostou num ponta mais agudo (Erick) e outro mais “armador” (Jean Carlos). A ideia aqui era dar espaço para que Paulo Victor subisse ao ataque com mais liberdade. Mais por dentro, Zé Ricardo se juntava a Chay logo atrás de Guilherme Bissoli num Ceará que parecia organizado num primeiro momento, mas que pecou demais diante de um Ituano assustado e sem muita saída de bola dentro do Castelão. Além disso, o time cearense não conseguia aproveitar os espaços que encontrava.
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É interessante destacar que o Ceará tinha campo para trabalhar a bola. O 4-1-4-1 montado pelo técnico Marcinho Freitas acabou sobrecarregando demais o volante José Aldo na marcação na frente da última linha. E não foram poucas as vezes em que os atacantes do Vozão receberam a bola na intermediária ofensiva com plenas condições de partir na direção do gol defendido por Jefferson Paulino. Faltava, no entanto, repertório para trabalhar as jogadas por dentro e para tentar algo além dos cruzamentos para a área na direção do jogador que aparecia às costas da defesa do Ituano. O gol de Erick nasceu de um desses cruzamentos. Mas a atuação deixava demais a desejar diante do que se via em campo.
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O panorama da partida não mudou muito no segundo tempo. A diferença é que Guto Ferreira mandou Cléber (jogador que voltava de suspensão por doping e que tem a confiança do treinador) e Janderson para o jogo nos lugares de Guilherme Bissoli e Chay. Com isso, Jean Carlos passou a jogar mais por dentro. Do outro lado, o Ituano se segurava como podia, mas sofria bem menos do que na primeira etapa. Isso porque o Vozão voltou do intervalo mais displicente e mais desorganizado. A falta de movimentação do quarteto ofensivo permeneceu a mesma e o Vozão seguiu apresentando um repertório pequeno de jogadas. Sem criatividade, não demorou muito para que o castigo viesse na Arena Castelão.
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Acabou que a falta de criatividade do Ceará foi punida com o gol de Wesley Pomba em belo chute da entrada da área. E a grande verdade é que todo o time parece desconectado do que acontece no campo e só consegue criar alguma coisa em poucos momentos das partidas. Fora isso, a falta de confiança em determinados jogadores para tentar algo além dos cruzamentos para a área e os toques para o lado. E para completar o “combo” de problemas, a defesa ainda não encontrou a consistência e a segurança característica das equipes de Guto Ferreira. Difícil entender como Wesley Pomba teve tanta liberdade para pegar a bola e passar por dois marcadores antes de finalizar no gol de Bruno Ferreira. E isso sem mencionar a falha incrível de Erick no início do lance.
Este que escreve entende que Guto Ferreira é o menos culpado pela situação do Ceará por uma série de motivos. A questão aqui, aliás, é mais simples. O nosso simpático “Gordiola” pode ser o nome certo para essa retomada do Vozão. A pergunta a ser feita aqui é se ele terá tempo e meios para arrumar as coisas e dar a competitividade que sua equipe precisa nesse returno da Série B. Não é difícil concluir que o clube paga pelas escolhas feitas pela sua diretoria. E não será a conquista da Copa do Nordeste que irá esconder um possível final de ano bastante ruim para o Ceará.