Home Futebol Vasco tem primeira boa atuação no ano e começa a ganhar a “cara” de Maurício Barbieri

Vasco tem primeira boa atuação no ano e começa a ganhar a “cara” de Maurício Barbieri

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a goleada sobre o Resende e projeta as próximas partidas do Gigante da Colina

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite e também do Vasco após a venda da SAF para a 777 Partners. Não é novidade que as esperanças do torcedor vascaíno aumentaram consideravelmente depois da chegada de reforços como Ivan, Pumita Rodríguez, Léo, Jair e Pedro Raul e do aumento do poderio financeiro do clube. Aos poucos, as coisas começam a se refletir em campo. E mesmo tendo em mente que a goleada sobre o frágil Resende nesta quinta-feira (2) não significa que o time está pronto para desafios maiores, os jogadores já começaram a executar bem alguns dos conceitos trabalhados pelo técnico Maurício Barbieri. Certo é que o Vasco já começa a ganhar uma “cara”.

Na prática, o Gigante da Colina fez exatamente aquilo que se esperava dele diante de um adversário mais fraco. A equipe de São Januário foi muito agressiva na pressão pós-perda, mas soube os momentos de dosar o fôlego para ganhar espaços nas transições. E tudo isso sem deixar o Resende respirar na partida desta quinta-feira (2). Maurício Barbieri, por sua vez, manteve seu 4-3-3 preferido no Vasco com Jair se juntando a Alex Teixeira no meio-campo e Rodrigo afundando entre Miranda e Léo na variação para um 3-4-3 quando o Vasco tinha a posse de bola.

Tivemos momento em que Pumita Rodríguez e Lucas Piton abriam bastante o campo, a zaga se aproximava dos volantes, Gabriel Pec e Figueiredo exploravam a entrelinha e Alex Teixeira jogava quase como um segundo atacante ao lado de Pedro Raul. Diante da fragilidade do Resende e do volume de jogo do Vasco, os gols não demoraram para sair. E um ponto interessante do time de Maurício Barbieri estava nas triangulações entre laterais e pontas (típico do “jogo de posição”). A movimentação da equipe de São Januário funcionou muito bem nesse sentido.

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Pumita e Lucas Piton abriam o campo, a última linha avançava e os pontas exploravam a entrelinha adversária. O Vasco amassou o Resende. Foto: Reprodução / YouTube / Cazé TV

Notem que os jogadores não guardavam posições fixas. Se Pumita Rodríguez recebesse um passe mais por dentro, Gabriel Pec abria o jogo pelo lado. Se Jair avançava para o ataque, Alex Teixeira recuava um pouco para dar opção de passe. E se Pedro Raul buscasse o jogo por dentro, os dois pontas se preparavam para entrar em diagonal na direção do gol. Tudo começava a partir da chamada “saída de três” trabalhada por Maurício Barbieri. Rodrigo recuava entre os zagueiros (ambos de ótimo passe) e os laterais ficavam mais espetados. Conforme os espaços iam se abrindo no campo do Resende, todo o sistema ofensivo buscava a ocupação deles para bagunçar ainda mais a defesa adversária.

Rodrigo recua entre os zagueiros Miranda e Léo para iniciar as jogadas de ataque. Os laterais ficavam mais espetados e o ataque abria espaços. Foto: Reprodução / YouTube / Cazé TV

Os gols foram saindo com facilidade na partida desta quinta-feira (2). Pedro Raul (duas vezes), Lucas Piton, Gabriel Pec e Léo fizeram a alegria da torcida vascaína em São Januário sem se esforçar muito, mas mostrando muita desenvoltura e uma compreensão maior do que Maurício Barbieri quer da equipe dentro de campo. Com e sem a bola. Este que escreve, no entanto, destaca também a postura defensiva. O Vasco alternou as linhas altas de marcação com o bloco mais baixo para poupar fôlego em determinados momentos do jogo contra Resende. Os saltos para a pressão ainda precisam de ajustes, mas foi bom ver todo o time entendendo o que era preciso fazer em cada situação dentro de campo.

O Vasco alternou a marcação mais alta com um bloco mais baixo de marcação. Sem a bola, o 4-3-3 de Maurício Barbieri se transformava num 4-4-2. Foto: Reprodução / YouTube / Cazé TV

Não é novidade pra ninguém que o Vasco é uma equipe que merece a nossa atenção nesses próximos meses. Não somente por conta do aporte financeiro da 777 Partners, mas pelo elenco montado para a temporada e pela proposta de jogo adotada pela comissão técnica vascaína. É verdade que Maurício Barbieri ainda precisa corrigir uma série de problemas na sua equipe em todos os setores e que a goleada sobre o Resende não pode servir de parâmetro para o restante da temporada. Mas a boa atuação coletiva e a melhor assimilação dos conceitos trabalhados nos treinamentos deixam sim o torcedor com a esperança de que o futuro pode ser muito mais feliz do que o passado recente. A conferir.

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Por outro lado, também não é novidade pra ninguém que esse time do Vasco só vai ganhar “casca” enfrentando adversários mais fortes e mais organizados taticamente. O “jogo de posição” trabalhado por Maurício Barbieri precisa destes testes até para que ele possa encaixar nomes como Robson Bambu e Orellano na equipe titular da melhor maneira possível. Mesmo assim, o que se viu em campo nesta quinta-feira (2) deixa boas impressões. Ainda mais quando se olha para as temporadas passadas.

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https://www.youtube.com/watch?v=Jfc6vP7qepU
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