A goleada sobre o Peru é o tipo de jogo difícil de ser analisado mais profundamente por conta de uma série de fatores. O principal deles é a opção de Pia Sundhage por mandar a campo uma Seleção Feminina bastante modificada devido ao desgaste físico de algumas jogadoras e suspensões de outras. No entanto, mesmo sabendo que o jogo disputado nesta quinta-feira (21) valia apenas a confirmação da primeira posição do Grupo B da Copa América Feminina, algumas jogadoras aproveitaram bem a oportunidade recebida e mostraram desenvoltura no surpreendente 3-4-3 da treinadora sueca. Principalmente Duda Sampaio, Gabi Portilho e Luana, todas elas muito consistentes e executando muito bem as suas funções em campo numa partida em que a Seleção Feminina fez aquilo que se esperava dela antes da bola rolar na cidade de Cali.
O que se viu durante os noventa e poucos minutos de partida nada mais foi do que a clara superioridade da equipe de Pia Sundhage diante do adversário mais fraco dessa fase de grupos. Este que escreve até esperava a mesma intensidade que a treinadora sueca tanto pediu nas suas entrevistas e um pouco mais de concentração por parte de algumas jogadoras que seguem devendo bastante (principalmente Kerolin, muito abaixo do que já jogou com a camisa da Seleção Feminina). Apesar de tudo, o time se comportou bem, trabalhou bem as jogadas e aproveitou bem o cenário que se desenhava logo nos primeiros movimentos da partida desta quinta-feira (21).
A disposição tática da Seleção Feminina chamou a atenção por dois motivos simples. O primeiro é a clara aposta de Pia Sundhage numa formação que aproximasse mais as jogadoras e que explorasse bem a capacidade de Geyse, Kerolin e Gabi Portilho no ataque do espaço. E o segundo é intenção de criar superioridade numérica em cima de um adversário que claramente havia entrado em campo para “perder de pouco”. Toda a construção do lance do primeiro gol (marcado por Duda Francelino logo aos 40 segundos de partida) mostra bem como Pia Sundhage apostou em amplitude e profundidade para aproveitar os espaços que apareceriam na frágil defesa peruana.
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É óbvio que a fragilidade do adversário facilitou demais a vida do Brasil no Estádio Pascual Guerrero. Ainda que algumas jogadoras estivessem afobadas demais em alguns lances, o que se via era a clara superioridade de um time bem montado e que conseguia se impor com certa facilidade. Chamava a atenção também a forma como a Seleção Feminina iniciava a construção das jogadas. Kathellen (a única zagueira de ofício do time) ficava mais ao centro enquanto Letícia Santos e Fê Palermo ficavam mais pelos lados e contavam com o apoio de Luana e Duda Sampaio por dentro. Pelos lados, Gabi Portilho jogava mais à direita (se revezando com Duda Francelino em alguns momentos) e Duda Santos ocupava o outro lado. Nada de posições fixas no campo de ataque. O Brasil se movimentava bastante e confundia demais a marcação adversária.
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Conforme mencionado anteriormente, estava mais do que claro que o clima era de cumprimento de tabela e que não demoraria muito para que o Brasil dominasse completamente a partida desta quinta-feira (21). Apesar da evidente superioridade, a equipe como um todo pecou demais em alguns momentos por pura falta de concentração. Com isso, o nível de intensidade que Pia Sundhage tanto pede das suas jogadoras caiu e a partida entrou num ritmo mais lento e arrastado. Vale lembrar que a Seleção Feminina sempre conseguiu dominar seus adversários quando manteve o controle do jogo e colocou rapidez nas trocas de passe. No entanto, foi possível perceber que algumas atletas pareciam desconectadas do que acontecia em campo. É o tipo de postura que pode causar problemas sérios nas semifinais e contra oponentes mais qualificados.
Um dos pontos que mais chamou a atenção deste que escreve foi a maneira como o quinteto ofensivo se comportou quando a Seleção Feminina tinha a posse da bola. Por mais que o Peru tentasse fechar a entrada da sua area num 5-4-1, o escrete do técnico Conrad Flores apresentava muitos problemas de posicionamento e de cobertura. E isso facilitou demais a vida do ataque brasileiro. Se Duda Santos aparecia por dentro, Kerolin buscava o lado esquerdo para manter a amplitude no setor. Se Geyse empurrava a zaga peruana para trás, Duda Sampaio aparecia na entrada da área. E se Duda Francelino se lançava como “enganche” em algo próximo de um 3-4-1-2, Gabi Portilho saía da direita para dentro em diagonal como autêntica ponta. Essa coordenação de movimentos foi bastante perceptível no jogo disputado nesta quinta-feira (21).
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Está mais do que claro que Pia Sundhage deve retornar ao seu tradicional 4-4-2 no jogo contra o Paraguai. Afinal de contas, o nível de exigência que teremos no jogo da próxima terça-feira (26) será muito maior do que aquele que vimos na goleada sobre o Peru. Ao mesmo tempo, Adriana, Angelina, Debinha, Rafaelle, Antônia, Bia Zaneratto e Ary Borges devem retornar ao time titular da Seleção Feminina. Mas é preciso deixar claro que a treinadora sueca tem ótimas alternativas para mudar o estilo da sua equipe e até mesmo a formação dentro de campo. Desse modo, Duda Sampaio e Luana pintam como ótimas opções para dar mais consistência ao meio-campo e Gabi Portilho pode aparecer pela direita (onde se sente mais confortável) caso Pia deseje mais profundidade e força nos duelos individuais no ataque.
Mas a grande verdade é que o jogo contra o Paraguai (que é muito mais complicado do que muita gente pensa) vale muito. E assim como aconteceu contra o Peru, este que escreve e todos aqueles que acompanham a Seleção Feminina não esperam menos do que a classificação para a final e a confirmação das vagas na Copa do Mundo de 2023 e nos Jogos Olímpicos de Paris 2024. E para que isso aconteça, a equipe de Pia Sundhage precisa fazer exatamente aquilo que se espera que ela faça na próxima terça-feira (26).