Lewis Hamilton revela momento mais doloroso na Fórmula 1 e o plano para mudar o esporte
Lewis Hamilton foi o primeiro piloto negro da história da Fórmula 1 e já sofreu demais dentro do esporte com isso
O piloto inglês Lewis Hamilton, atual heptacampeão da Fórmula 1 com a equipe Mercedes, concedeu uma entrevista bastante emocionante e reveladora ao The Wall Street Journal Magazine, publicada nesta quarta-feira (27).
No bate-papo com o veículo de imprensa norte-americano, Hamilton revelou qual foi o momento mais doloroso que viveu dentro da F1. Foi em 2008, no Autódromo de Montmeló, durante o Grande Prêmio da Espanha.
Neste dia, alguns torcedores estavam nas arquibancadas com os rostos pintados de preto e uma camiseta branca com a frase “Família de Hamilton”, ironizando o britânico com insultos racistas. Na ocasião, Lewis travava disputa nas pistas contra o espanhol Fernando Alonso, da Renault.
“Me lembro da dor que senti naquele dia, mas não disse nada a respeito. Eu não tinha ninguém. Ninguém disse nada. Vi pessoas que continuam na categoria até hoje e que ficaram caladas”, contou o piloto, que havia estreado na Fórmula 1 no ano anterior, em 2007, justamente como companheiro de Alonso na McLaren.
O inglês foi o primeiro piloto negro na história da Formula 1, mas nem isso o deixava satisfeito. “Não estava feliz. Realizei meu sonho, mas não era eu, não podia ser eu, e eu não tinha confiança em mim mesmo na época, então simplesmente me mantive calado. Nós reprimimos tantas coisas que não percebemos a dor que vivenciamos”, explicou.
Mudança na regra por sua causa
Em 2020, mais experiente e já multicampeão da F1, Lewis Hamilton causou polêmica ao homenagear Breonna Taylor, a técnica em emergências médicas de 26 anos, negra, que foi baleada e morta por policiais nos Estados Unidos, no Kentucky.
O piloto venceu em Mugello, no Grande Prêmio da Toscana, na Itália, e subiu ao primeiro lugar do pódio com uma camiseta exigindo a prisão dos responsáveis pela morte de Breonna. Esse episódio fez o diretor de corrida da FIA, Michael Masi, emitir um comunicado oficial.
“Durante a cerimônia do pódio e procedimento de entrevista pós-corrida, os pilotos que terminarem o GP nas posições 1, 2 e 3 devem permanecer vestidos apenas com seus macacões de prova, fechados até o pescoço, não abertos até a cintura”, disse Masi.
“Eles mudaram muitas regras depois de muitas coisas que fiz”, comentou Hamilton sobre esse assunto.
Revolucionando a Fórmula 1
Lewis Hamilton passou a ter uma postura mais incisiva e combativa contra o racismo no ano passado, quando George Floyd foi assassinado por um policial nos Estados Unidos. O piloto da Mercedes saiu às ruas de Londres para protestar e pedir justiça.
Hoje ele é o esportista mais ativo na luta contra o preconceito. E quer revolucionar a Fórmula 1 nesse sentido.
“Estou no meu 14º ou 15º ano. Olhei as fotos da comemoração da equipe e percebi que as equipes da F1 ainda são completamente brancas. Há poucas pessoas negras e me perguntei como isso poderia estar acontecendo depois de estar aqui por tanto tempo”, comentou.
De acordo com o piloto da Mercedes, apenas 1% dos 40 mil funcionários que trabalham na indústria automobilística do Reino Unido são negros. Hamilton apontou uma série de medidas para garantir que mais pessoas de cor tenham a possibilidade de trabalhar na Fórmula 1.
“Portanto, agora estou disposto a arriscar meu emprego, minha reputação, não me importo. Quero que a comunidade negra saiba que eu os escuto e que estou com eles”, encerrou o heptacampeão mundial Lewis Hamilton.
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