Vanessa Pereira superou o preconceito, levantou títulos e dominou o mundo do futsal

Foto: Divulgação

Quem conhece o currículo da Vanessa Pereira no futsal feminino sabe que é de dar inveja. Títulos nacionais e internacionais, além de diversos prêmios individuais, como ser eleita por três vezes consecutivas a melhor do mundo. A atleta é uma das incansáveis batalhadoras por um futsal melhor e sempre está envolvida nas causas da modalidade. Mas para chegar ao auge da sua carreira, a brasileira superou muitas dificuldades, principalmente o preconceito por ser mulher num esporte considerado masculino.

“Comecei a brincar no futsal com cinco anos de idade e já ouvia muito que deveria estar em casa, até mesmo xingamentos do tipo “macho-fêmea”, etc. Eram situações naquela época constrangedoras, porque com cinco anos de idade ouvir tudo isso era complicado”, comentou.

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Com o apoio fundamental do pai, Vanessa não desistiu. Como moraram por muitos anos dentro de uma escola, pois seus pais eram ajudantes do estabelecimento, ela teve a oportunidade de conhecer os principais fundamentos esportivos com o próprio pai e conseguiu fazer a mãe e as irmãs entenderem que mulher podia praticar futsal sim.

“Apanhei muito da minha mãe por estar na rua jogando bola com os meninos. Mas ali estava meu pai me ajudando e me apoiando sempre. Ele era o treinador de uma das escolinhas de futsal dentro da escola que eu morava, via que era aquilo que eu queria e  então me auxiliava. Com o tempo, depois que minha mãe e minhas irmãs perceberam que era esse o dom que Deus tinha me dado, se tornaram fundamentais na minha formação esportiva também.”

Vanessa participou de algumas escolinhas de futsal e de competições escolares e uma delas foi a primeira equipe feminina de Patos de Minas, sua cidade natal. Com a ajuda do pai e do professor Gildo fizeram história na cidade mineira.

“Nós mudamos o futsal feminino ali, pois naquela época tinham as Olimpíadas escolares e nunca teve um time de futsal feminino. Gildo e meu pai solicitaram a nossa entrada, devido o número de meninas que estavam jogando. Depois disso foram se formando várias escolinhas nos bairros e nas outras escolas e o futsal feminino começou a ser visto de uma forma diferente”, lembrou emocionada.

Após toda essa fase inicial de inclusão no esporte nas escolinhas, Vanessa foi para Governador Valadares, conquistou muitos títulos nacionais e de lá seguiu para o sul. Jogou em Caçador e depois pela Unochapecó. Ganhou mais destaque e começou a carreira internacional, primeiro na Espanha jogando pelo Burela e há duas temporadas está na Itália atuando pelo Sinnai. E acredite, mesmo em outro país, as diferenças ainda são vistas.

“Estou buscando entender isso por aqui. Algumas diferenças e melhoras têm em relação ao Brasil em questão ao preconceito feminino no futsal, mas ainda no geral, vemos muita desigualdade. Precisamos valorizar mais a mulher e a aceitação disso seria um bom começo pra uma mudança.”

A atleta também acredita que a união entre as próprias esportistas que praticam o futsal pode fazer a diferença para amenizar esse preconceito entre homem/mulher na hora de falar de igualdade.

“Temos que entender que o machismo já é algo ultrapassado e que a igualdade é coisa justa. Precisamos que nossa classe se una mais, que as atletas se abracem mais por uma causa só. Temos que melhorar juntas a modalidade e não somente naquilo que é bom para si mesmo. Muitas atletas conquistaram títulos, porém não procuram usar isso para uma melhoria da modalidade. Acabam deixando os sonhos e as lutas nas mãos de agentes, agências, diretores e deixam de lutar por aquilo que acha certo, o que é certo pra modalidade.”

Para encerrar, Vanessa comentou sobre como tem visto o futsal feminino no Brasil, após um ano atípico de 2016, já que poucas competições para elas aconteceram e ficaram até sem o principal torneio mundial da modalidade.

“Acredito e vejo que as coisas estão andando. Pessoas do departamento de futsal feminino dentro da CBFS estão fazendo as coisas caminharem. O ano de 2017 terá várias competições para a modalidade feminina, a seleção terá competição, acontecerão encontros. O que precisa melhorar é a gestão completa da CBFS abraçar com mais ímpeto a gestão do futsal feminino. Eles estão melhorando, só esperamos que isso seja rápido para que tudo se iguale”, finalizou.