Isaias Tinoco vê a base como único caminho palpável para o Vasco voltar a ser protagonista

Isaias Tinoco
Foto: Divulgação/Flickr Oficial do Vasco

O torcedor do Vasco deve ter reparado que nos últimos meses aumentou o número de jovens oriundos das categorias de base no elenco profissional. Em entrevista exclusiva ao Torcedores.com, o superintendente de futebol Isaias Tinoco, que foi gerente da base entre 2014 e 2015, detalhou como é a transição das divisões inferiores para o time principal e crê que continuar investindo nos juniores é o “único caminho palpável” para o clube voltar a ser protagonista com títulos no cenário nacional.

“A transição do sub-20 para o profissional é a mesma do Sub-17, ou seja, tem que prevalecer a qualidade, o potencial técnico do atleta e naquele instante tem um espaço para que ele possa se encaixar. Não é uma tarefa fácil, depende de uma série de fatores, algumas apostas ficam pelo caminho, outros conseguem se encaixar”, disse o dirigente.

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Dos atletas formados no clube, os que mais têm sidos aproveitados no elenco profissional são: o lateral-esquerdo Henrique Silva, o volante Douglas, os meias Evander e Guilherme e o atacante Thalles. Daqueles que subiram recentemente, Isaias preferiu não apostar em quem tem mais chances de ir longe.

“Tem jogador que você aposta, acha que vai virar e chegar na divisão de cima e acaba não chegando. E há aquele que você não aposta, acha que falta alguma coisa, e este acaba entrando e dando certo. O importante é você estar trabalhando com todos ativamente e oportunizando a todos um espaço num elenco imediatamente superior, seja do Sub-17 para o Sub-20, ou seja do Sub-20 para o profissional”, explicou.

Isaias fez elogios ao trabalho feito nas categorias de base e projetou que daqui alguns anos o time profissional terá mais jovens formados no próprio clube.

“O Vasco faz um trabalho muito intenso nas divisões de base, sob o comando de Álvaro Miranda e do Nilson Gonçalves. O Vasco se recuperou e hoje tem em seu elenco cerca de 50, 60% dos atletas oriundos das categorias de base e a ideia é chegar na faixa de 70%, evidentemente que também tem uma equipe com índice de longevidade alto, mas (apostar na base) é o caminho certo. Aliás, é o único caminho palpável para o Vasco voltar as grandes conquistas. A equipe júnior é muito qualificada”, comentou.

O dirigente declarou que um dos objetivos é que o jovem atleta chegue ao elenco profissional já com maior identificação ao clube.

“O Vasco tem uma excelente estrutura na base desde o Sub-9 até o Sub-20. Tem um colégio em São Januário que permite o atleta passar o dia todo aqui para restabelecer de novo a relação de identidade que um menino formado no clube, ele obrigatoriamente adquire a identidade com o clube porque tem mais facilidade do que aquele que vem de um outro clube já formado. São três anos de um trabalho intenso e mais quatro ou cinco anos voltaremos a produzir atletas em larga escala”, completou.

Outros tópicos da entrevista:

Promoção recente do jovem zagueiro Ricardo:

“(A promoção do Ricardo) foi em momento de necessidade por conta da cirurgia do Luan, é um atleta que já esteve emprestado a um clube de Portugal (Vitória de Guimarães) onde ganhou um pouco mais de experiência e de cultura, mas ainda é muito cedo dizer se vai vingar. Ele está sendo avaliado.”

Importância da base para o profissional:

“O conceito da base é que ela é o banco de reservas do profissional e evidentemente qualquer um pode ser pinçado, por isso sempre digo que a transição do Sub-17 para o Sub-20 tem que ser muito bem feita. Quem chega no Sub-20 do Vasco, tem condições de jogar no time profissional. Se vai jogar em alto nível é outro tipo de conduta. Quem passa pelo Sub-17 do Vasco vai ser jogador de futebol. O Sub-20 só carimba se vai jogar no Vasco, em outro grande clube ou se vai ser jogador de seleção. A história do Vasco (em revelar atletas) é muito grande. Se pegarmos os atletas do passado que vieram da base, eles estão brilhando na Champions League (Alex Teixeira e Phillipe Coutinho) e na seleção brasileira. Esses atletas são preparados para ter identidade com o Vasco e isso é fundamental”.



Rafael Alaby é jornalista diplomado pela FIAM (Faculdades Integradas Alcântara Machado), com passagens pela Chefia de Reportagem de Esportes, da TV Bandeirantes, em São Paulo e site KiGOL. Pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte (FMU)