Comentarista prevê como será Brasileirão 2019 no Esporte Interativo

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Reprodução/Facebook

Vitor Sergio Rodrigues é comentarista do Esporte Interativo há dez anos, desde o início do projeto. Na entrevista que concedeu ao Torcedores.com, ele se mostrou muito empolgado com o novo desafio: a transmissão do Brasileirão em 2019.

O Esporte Interativo fechou a transmissão dos seguintes clubes a partir do o Brasileirão 2019: Inter, Santos, Palmeiras, Grêmio, Coritiba, Atlético-PR, Bahia, Santa Cruz, Chapecoense, Figueirense, Joinville, Goiás.

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Vítor Sérgio também falou ao Torcedores.com sobre como descobriu a sua paixão pelo jornalismo e as críticas e elogios que o Esporte Interativo recebe pelo seu estilo de transmissão. Ele também “encheu a bola” dos narradores da casa.

Confira como foi o papo na íntegra com Vítor Sérgio:

Torcedores.com: Queria que você contasse um pouco o seu histórico no jornalismo e como a sua carreira se desenvolveu até o Esporte Interativo
Vítor Sérgio: Eu sempre quis ser jornalista esportivo. Desde pequeno brincava de ser repórter, narrador, comentarista… Assim, foi algo natural procurar o curso de comunicação.

Minha entrada no jornalismo de fato é meio curiosa: quando estava na faculdade, comecei a trabalhar em uma central de atendimento telefônico para ajudar a pagar a mensalidade. Só que acabei me destacando muito na função e fui subindo de cargo. Virei supervisor e depois analista de treinamento de toda a central. Naquele momento, estava quase trocando para uma faculdade de administração, quando vi um anúncio no Jornal Lance! para um novo site que seria lançando. Eram cinco perguntas de esportes. Acertei todas sem nem pensar. E lá vinha escrito: se você acertou tudo e faz faculdade de jornalismo, entre em contato que temos uma oportunidade para você. Fiquei meio em dúvida, pois já ganhava muito bem na central de atendimento e iria começar do zero, com salário de estagiário. Mas decidi ir, pois era o momento propício para essa aposta: solteiro, morando com os pais, sem filhos…

Era o lançamento do Portal do Esporte, da Globo.com, um precurssor (muito maior) do que hoje é o GloboEsporte.com. Passei, fui estagiário lá, aprendi muito com vários craques do jornalismo, como Marcelo Barreto, Flávio Orro e, principalmente, Marcio Ogata, que me ensinou o que eu sei! Só que o projeto acabou rapidamente.

Depois, fui trabalhar no Site Oficial do Campeonato do Nordeste, em 2002, na TopSports (empresa que cinco anos depois fundou o Esporte Interativo!), passei pelo Jornal dos Sports, fiquei três anos no Lance! e depois no próprio GloboEsporte.com, até chegar ao Esporte Interativo, em 2007.

A minha entrada aqui se deu por dois motivos: o primeiro é que os fundadores do Esporte Interativo sempre gostaram da minha, digamos “eloquência” ao comentar os assuntos do esporte no escritório da TopSports. Acharam que me daria bem como comentarista. A outra é que o Márcio Ogata (citado acima) foi quem montou a primeira equipe do Esporte Interativo e me convidou. Devo muito ao Ogata!

Torcedores.com: Quais são suas referências como comentaristas? Por que?
Vítor Sérgio: Ouço muito rádio. Cresci ouvindo o Washington Rodrigues, que durante muito tempo foi o melhor para mim. Me ensinou muito a ser direto e descontraído (algo importante para o Esporte Interativo). Mas isso era como torcedor também, moleque. Além disso, tem o Mauro Beting, referência em como usar a paixão com inteligência, bom humor e senso de oportunidade. Mas também gosto muito do PVC, que sem dúvida alguma mudou o patamar da função de comentarista. Mais recentemente, gosto muito do Juninho Pernambucano e aprendo demais com dois amigos da casa, Bruno Formiga e Felipe Rolim.

Torcedores.com: A aquisição dos direitos de transmissão exclusiva na TV paga da UEFA Champions League foi um divisor de águas na história do EI?
Vítor Sérgio: Foi o rótulo de que não estávamos brincando de fazer televisão. Ninguém ganha a concorrência séria (algo raro no meio…), para um torneio como a Liga dos Campeões, tirando de uma concorrente que trabalhava bem o produto havia décadas, sem fazer um trabalho sério. Trouxe mais visibilidade ao nosso trabalho, ajudou na entrada dos canais nas principais operadoras de TV paga. Foi um marco, sem dúvida. E o mais realizador é saber que estamos conseguindo cumprir o que prometemos a Uefa: realizar a maior e melhor cobertura da Liga dos Campeões no Brasil.

Torcedores.com: Quando o Esporte Interativo percebeu que o Nordeste poderia ser o expoente da sua audiência?
Vítor Sérgio: O Esporte Interativo sempre soube disso. Como falei em perguntas anteriores, era a TopSports (empresa que fundou o Esporte Interativo) quem organizou o Campeonato do Nordeste no início do século, competição que foi apontada como a melhor do país. Sempre soubemos que o Nordeste tem uma paixão por futebol incomparável, tem muito dinheiro, mas era muito mal tratado. Foi só a volta da Copa do Nordeste ser sacramentada para que colocássemos isso em prática. E o sucesso em todas as frentes desde a volta definitiva, em 2013, só comprova isso.

Torcedores.com: O Esporte Interativo carrega uma grande audiência nas redes sociais. Como é a relação dos profissionais do EI com os seguidores?
Vítor Sérgio: Sem dúvida alguma as redes sociais são um componente vital do crescimento do Esporte Interativo. Sendo assim, quem vive o Esporte Interativo tem que pensar muito no que produzir para as mídias sociais. Muita gente ainda acha que o Esporte Interativo é uma TV que faz coisas no campo digital. Com certeza não é isso. O Esporte Interativo hoje é um produtor de conteúdo para todas as mídias que existem (e seremos também para as que forem inventadas) e entre elas estão os canais de televisão. Eu tenho uma relação sadia com as redes sociais porque resolvi ignorar idiotas. Acho que a truculência nas mídias sociais está em um nível acima do aceitável.

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Torcedores.com: Em 2019, o EI transmitirá partidas da Série A do Brasileirão. Será o maior desafio da sua carreira?
Vítor Sérgio: Será o novo maior desafio. Encaro tudo que o que o Esporte Interativo me ofereceu como o maior desafio da minha carreira: comentar o primeiro jogo do canal sem nunca ter comentado uma partida na televisão na minha vida, comentar na Band no início do projeto, comentar a Liga dos Campeões, comentar a Copa do Nordeste, comentar um Super Bowl, ser enviado especial em várias coberturas, apresentar alguns programas. Tudo foi, a seu tempo, o maior desafio da minha carreira. O próximo maior desafio da carreira, imagino, é a Série A do Brasileiro a partir de 2019.

Torcedores.com: O que o Esporte Interativo mudou nestes dez anos na sua opinião?
Vítor Sérgio: Mudou muito. Ganhou em estrutura, ganhou em relevância, ganhou em distribuição, ganhou profissionalismo. Mas tem algo que permanece rigorosamente igual: nossa paixão por esporte e a crença de que só levando a emoção do esporte até o torcedor vamos cumprir nossa missão. Às vezes eu recebo uma mensagem do tipo: “Vocês são ridículos! Vocês tratam a Copa do Nordeste como se fosse um jogo da Liga dos Campeões!”. Mas sabem que essa mensagem não tem nada de crítica! Tem um grande elogio! Se conseguimos fazer isso, quer dizer que nosso trabalho é muito bem feito! É isso que queremos. O pensamento é que para o torcedor de um time da Copa do Nordeste, o jogo de seu time é muito maior e mais importante do que qualquer outro torneio. Se conseguimos fazer ele se sentir assim, estamos fazendo certo.

Torcedores.com: O Esporte Interativo mudou um sistema que já estava definido. Passou a incomodar os concorrentes. Foi alvo de elogios e críticas por isso. Como você lida com os dois?
Vítor Sérgio: Vou responder como eu, pessoalmente, trato elogio e crítica, independentemente de incomodar concorrentes ou não. A questão é a seguinte: o jornalista é muito vaidoso, provavelmente é a profissão mais vaidosa do mundo. Sendo assim, o jornalista, em via de regra, não está pronto para ser contestado ou criticado. E simplesmente não aceita que alguém do outro lado não goste do dele, do trabalho dele ou tenha crítica a ele. Eu não tenho problema algum com isso. Tento total noção de que há várias pessoas que não gostam do meu trabalho. É um direito total delas. Todo mundo tem direito à opinião. Algumas vezes, quando me criticam, eu pergunto o seguinte: “Cara, me ajuda a melhorar. O que eu posso fazer para melhorar? Me dá essa ajuda se você puder.”. Em 90% dos casos, acabo desarmando a pessoa. E depois penso o que foi me dito para me reavaliar. É importante, sempre, se reavaliar. E isso não quer dizer que você vai mudar. Mas fazer a autocrítica é importante. Outro ponto é que hoje a informação está totalmente acessível ao público. Então, o jornalista tem que ter o pé no chão e entender que é perfeitamente possível que algumas pessoas do público estejam mais informados do que ele. E quando o jornalista é questionado em relação a isso, a maioria tem a tendência a reagir mal. Isso tem acontecido muito. Não tenho problema com isso. Estudo cerca de três horas para comentar um jogo para não “saber menos” que o fanático daquele time ou modalidade. Mas se acontecer, não dou “migué”: digo que não sabia e/ou me corrijo e agradeço.

Torcedores.com: Os críticos acusam a transmissão de vocês de fazer uma transmissão muito ‘gritada’. O que você acha disso?
Vítor Sérgio: Vamos com calma. É evidente que o padrão de narração do Esporte Interativo é muito mais acelerado do que o padrão consagrado no Brasil. Só que não há uma “fórmula certa”. Há padrões. E o do Esporte Interativo é mais acelerado do que normalmente as outras TVs, abertas e fechadas, fazem. Mas isso é uma questão de falta de costume também. A excepcional narração do André Henning na vitória do Barça por 6 a 1 sobre o PSG foi muito elogiada. E o André foi o mesmo. Não me lembro de ter visto críticas. Quanto mais o público se acostumar com o estilo do Esporte Interativo, haverá menos críticas.

Só que isso não tem nenhuma relação com gritaria. Dizer que os “narradores do Esporte Interativo gritam até em cobrança de lateral” não é só errado. É desonestidade. Não acontece. Além do que, o Esporte Interativo tem vários narradores, com diferenças entre si, mas todos seguindo o padrão que a empresa busca: muita emoção e um ritmo mais acelerado. Logo, é um outro erro achar que todos os narradores do Esporte Interativo “são iguais”. Aliás, sem desmerecer nenhuma concorrente, eu tenho certeza de que se pegarmos o conjunto dos cinco narradores mais utilizados de todos os canais do Brasil, nenhum deles será melhor que os cinco mais utilizados no Esporte Interativo: André Henning, Jorge Iggor, Luís Felipe Freitas, Octávio Neto e Giovani Martinello. Faço esse desafio. Acompanhem e me digam.

Torcedores.com: No jogo entre Real Madrid e Napoli, um comentário do André Henning gerou muita repercussão. Alguns o acusaram de ser racista. Como vocês lidam com esse patrulhamento aos comentários de vocês nas transmissões?
Vítor Sérgio: Eu, pessoalmente, penso que jornalista não deveria ser notícia. Não chamo de “patrulhamento”, como você chamou, mas acho que termos veículos focados em cobrir outros jornalistas uma desvirtuação da profissão. Mas, como disse lá acima, há muita vaidade entre jornalistas e muitos deles gostam de ser notícia. Partindo do princípio de que há esse “nicho”, acho totalmente normal que com o aumento da exposição do Esporte Interativo, nós sejamos mais protagonistas de críticas.



Jornalista de esportes desde 2005, com passagem pelo UOL e Terra. Editor de comunidades do Torcedores.com e blogueiro do renanprates.com