Pivô fala sobre redenção no futsal do Corinthians: “time estava desacreditado”

Foto: Divulgação/Flickr oficial da LNF
Foto: Divulgação/Flickr oficial da LNF

O ano de 2016 é um marco no futsal do Corinthians. Depois de seis temporadas buscando o título da Liga Nacional e caindo sempre antes da final, o Timão, finalmente, conquistou a tão sonhada taça, com direito a dobradinha, vencendo a Liga Paulista também.

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Dentre os principais personagens do título está o veterano pivô Vander Carioca. O jogador, campeão da Liga Nacional em 1997 pelo Atlético-MG, havia parado de jogar futsal em 2015, por conta de uma doença de seu pai. No começo do ano passado, Vander resolveu voltar a atuar nas quadras, sendo um dos pilares de um Corinthians reinventado. Em entrevista exclusiva à reportagem do Torcedores.com durante evento beneficente no Rio de Janeiro, o pivô falou sobre a temporada do Corinthians.

“Foi um ano especial. Em 2015 meu pai faleceu, eu parei de jogar futsal, voltei pro Rio, e volto em 2016 num time desacreditado. O Corinthians diminuiu o investimento e a gente monta um time mais ou menos desconhecido, com eu e o Índio de mais velhos, sobe uma garotada so sub-20 e o negócio começa a encaixar e a andar. E a gente conquista um título que o Corinthians vem buscando há seis anos. Foi um ano especial. A torcida do Corinthians abraçou o time de um jeito que você não tem noção. Eram 9, 10 mil pessoas todo jogo no Parque São Jorge, porque o time de campo não vinha numa fase muito boa. Então foi um ano especial e eu estou muito feliz por isso”, comemorou o camisa 14 do Timão.

Porém, nem só de alegrias viveu a equipe do Parque São Jorge. No começo de novembro, Enrico, filho de dois anos e oito meses do goleiro Guitta, vítima de uma parada cardiorrespiratória. A tragédia chegou a adiar a primeira da final da Liga Paulista. Vander destacou a importância do grupo na recuperação emocional do camisa 1.

“O Guitta perdeu um filho de 2 anos e 8 meses. Eu sou pai, é uma dor imensurável. A gente imagina, mas não sente. Nós deixamos o Guitta à vontade. Ele ficou quase quinze dias sem treinar e um dia ele apareceu lá no clube: ‘quero voltar’. Ele chorou com a gente, nós choramos com ele, demos total apoio para ele. O Guitta é um monstro, um dos melhores goleiros do mundo, senão o melhor. Ele sabia que ali ele estava em casa, ali ele teve apoio, teve carinho. Era um ambiente que ia fazer bem pra ele. E no tempo dele. Então foi isso que nos fizemos. Deixamos ele à vontade e ele voltou. Nos primeiros dias foi mais difícil. Mas depois ele já estava rindo, brincando e viu que ali ele tem amigos, tem apoio. Então isso ajudou muito a ele”, revelou Vander Carioca.

O pivô também citou o desastre envolvendo o avião que levava a delegação da Chapecoense e jornalistas para a final da Copa Sul-Americana e classificou o ano de 2016 como um ano para se refletir.

“Foi um ano difícil para todos nós brasileiros. Depois teve esse acidente com a Chapecoense que foi uma tragédia muito grande. Foi um ano muito triste. É um ano de a gente refletir nas pequenas coisas. Você tomar um chopp com os amigos, fazer uma pelada dessa, falar mais ‘eu te amo’ pra tua esposa, pro teu filho… É um ano para todos nós refletirmos, que a vida… Isso tudo aqui é emprestado, nada é nosso. Isso aqui é uma passagem. Então a gente tem que tentar fazer o bem, ser uma pessoa cada dia melhor”, refletiu o jogador do Corinthians.

*com colaboração de Karoline Rodrigues