“Pela medicina, não estaria mais viva”, diz medalhista da Paralimpíada Rio 2016

Susana acena para a torcida no estádio Aquático após conquistar a medalha de prata
Susana acena para a torcida no estádio Aquático após conquistar a medalha de prata

A nadadora gaúcha Susana Schnarndorf, de 49 anos, sempre praticou esportes. Triatleta, ela tinha o hábito de passar os seus dias nadando, correndo e pedalando.

Até que, em 1995, descobriu que tinha uma doença degenerativa: MSA (múltipla atrofia dos sistemas). Aos poucos, os seus músculos se paralisam. A doença pode atingir os pulmões e o coração. Por isto, a expectativa de vida de quem tem a doença é muito curta. “Pela medicina, não era para eu estar mais viva”, desabafou a nadadora.

Nos últimos Jogos Paralímpicos, Susana conquistou a medalha de prata no revezamento 4 x 50 m misto até 20 pontos* – ao lado de Clodoaldo Silva, Joana Maria Silva (Joaninha) e Daniel Dias. “Posso ficar o dia inteiro tentando explicar e não vou conseguir. Foi um momento único. Emocionante demais.”, disse a gaúcha.

A atleta quer mais e faz planos para o futuro. “Ainda falta a medalha de ouro e ela vai vir em Tóquio. Se Deus quiser”, afirmou.

Você sempre praticou esporte. Mesmo antes de descobrir a doença. Como foi esta transição para o paradesporto?

No começo foi bem difícil porque eu fazia triatlo. Pedalava, corria e nadava o dia inteiro. De repente, não conseguia nem escovar os dentes mais. Aí o que fiz? Voltei para o esporte. A natação paralímpica literalmente me salvou.

Como você descobriu a natação paralímpica?

Na piscina que treinava no Rio, havia umas pessoas com deficiência que praticavam o esporte. Elas me chamaram para treinar e isto mudou a minha vida.

Como funciona a classificação na natação paralímpica?

Eu tenho uma doença degenerativa, que vai piorando com o tempo. Sou classificada de dois em dois anos, ou até menos. Eu comecei na classe S8. Em 2012, estava na S7 e, agora, estou na S5. Conforme vou piorando, mudo de classe para ficar uma coisa justa e continuar competitiva. É difícil isso. Não quero piorar. Queria continuar na S8, como comecei. Porém, não tem como.

Qual é o tamanho da equipe que te acompanha para você ter condições de competir?

Eu treino no Centro de Treinamento do CPB (em São Paulo). Aqui tem uma equipe muito boa, completa. Há técnicos, fisiologistas, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas… É uma equipe bem grande aqui. Fazemos tudo junto. Senão, não iríamos conseguir.

Como vocês trabalham o psicológico na natação paralímpica?

É mais importante do que o próprio treino físico, às vezes. Tem que treinar muito, mas se não preparar a cabeça, como a gente costuma dizer, você amarela. Na Paralimpíada foi surreal: entrar no Estádio Aquático e todo mundo gritar o seu nome. Se você não está preparado, não consegue nadar. Tem que preparar a mente e o corpo juntos.

Depois de ter passado por toda esta adaptação, você conquistou uma medalha de prata nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. O que representou esta conquista?

É o sonho de qualquer atleta subir no pódio. Eu lutei muito para conseguir esta medalha. Pela medicina, não era para eu estar mais viva. Tive vários problemas para conseguir me classificar. Então, na hora que colocaram a medalha no meu peito…Posso ficar o dia inteiro tentando explicar e não vou conseguir. Foi um momento único. Emocionante demais.

Você disse que pela medicina não estaria mais viva, mas como se sente? Quais são os seus planos?

A Paralimpíada de Tóquio é o meu próximo objetivo. Ainda falta um tempo. Muita coisa pode acontecer, mas ainda falta a medalha de ouro e ela vai vir em Tóquio. Se Deus quiser.

*A natação paralímpica possui diversas classificações. As classes S1 a S10 são disputadas por atletas com limitações físico-motoras. Quanto maior a deficiência, menor o número da classe. Susana, atualmente, disputa na classe S5.

No revezamento em que conquistou a prata, a gaúcha teve que nadar ao lado de atletas que, juntos com ela, somassem até 20 pontos na classificação. Esta pontuação é definida pelo número que vem ao lado da letra “S”. Ou seja, a nadadora tinha cinco pontos na Paralimpíada Rio 2016.



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