Cinco meses após ouro olímpico, Rafaela Silva diz que a ficha ainda está caindo

Foto: Karoline Rodrigues/Torcedores.com
Foto: Karoline Rodrigues/Torcedores.com

No dia 8 de agosto de 2016, o hino nacional brasileiro tocava para anunciar que, pela primeira vez na história, uma atleta brasileira recebia uma medalha de ouro olímpica em solo nacional. Há exatos cinco meses, a judoca Rafaela Silva se sagrava campeã olímpica na categoria até 57 kg.

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Nascida e criada na Cidade de Deus, favela situada a poucos quilômetros do Parque Olímpico, a brasileira encontrou no Rio de Janeiro a oportunidade perfeita para dar a volta por cima. Quatro anos antes, Rafaela era uma das favoritas na briga por uma medalha nos Jogos Olímpicos de Londres, mas um golpe ilegal a tirou da disputa em sua segunda luta. A brasileira teve de superar insultos, muitos deles de conteúdo racista, para se reerguer e buscar o tão sonhado ouro olímpico. Hoje a vida da judoca é completamente diferente. Os insultos deram lugar a merecidas demonstrações de carinho. Entre uma foto e outra, a medalhista olímpica conta que, mesmo após cinco meses, a ficha ainda não caiu completamente.

“Vai caindo aos poucos, mas só de estar recebendo todo esse carinho, ver as pessoas me reconhecendo, me pedindo um abraço, uma foto, está sendo bem diferente”, comentou a campeã olímpica em entrevista exclusiva ao Torcedores.com.

O começo dos Jogos Olímpicos Rio 2016 foi marcado pelo entusiasmo do público brasileiro com a medalha de Rafaela Silva e com a bela campanha que a seleção feminina de futebol fazia. Por pouco, em vez de subir no alto do pódio no judô, Rafaela não estava nos gramados tentando ajudar Marta, Cristiane e cia. a trazer o ouro inédito no futebol.

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“Faz muito tempo mesmo que eu não jogo futebol. Eu jogava quando era mais nova, mas as competições começaram a cair no mesmo período e eu tive que abandonar um. Aí, eu abandonei o futebol”, revelou Rafaela.

A entrevista foi concedida durante um evento beneficente no Rio de Janeiro. Quando questionada se iria entrar em campo, a judoca desconversou.

“Eu vim pra jogar, mas quando eu vi que só chegou profissional, eu preferi ficar sentada”, se esquivou Rafaela.

Ela foi embora e realmente não entrou em campo. Fica para outra oportunidade saber se Rafaela Silva tem com as chuteiras e sobre a grama, a mesma habilidade que tem com o quimono e sobre o tatame…

* com colaboração de Karoline Rodrigues