Neto em primeira coletiva após acidente: “Vou representar aqueles caras”

Reprodução/ESPN
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Zagueiro Neto, um dos sobreviventes do acidente aéreo que vitimou 71 pessoas entre comissão técnica da Chapecoense, jogadores e jornalistas, esteve na manhã desta sexta-feira (06), na Arena Condá, em Chapecó, para a reapresentação do ‘novo’ elenco da Chapecoense.

Andando com a ajuda de muletas, Neto deu entrevista coletiva após aparecer com os novos companheiros e contou que optou por se reapresentar para não cair em depressão, além de destacar a sensação de retornar ao clube sem os companheiros de profissão.

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“É uma situação muito diferente da que sempre vivi. Entrar num clube que estava na final, onde tinha muitos amigos há anos. É uma situação diferente, mas a gente tem que crer que Deus tem um propósito para todas as coisas. Tenho que recuperar, né? Tenho algumas lesões importantes. Uma hora ou outra ia ter que vir para cá e dar de frente com isso. É duro, tinha gente que conhecia desde os 17 anos, pessoas que me ajudaram, os jogadores e até os repórteres que se foram. Mas tem uma hora que a gente tem que encarar a realidade, nem sempre a realidade é o que a gente quer.”

Neto tem noção que precisa melhorar a cada dia sua condição física e mental. “Tive uma lesão importante no joelho, uma lesão na coluna. Acho que estou melhorando. Quando cheguei em casa só tinha sono. Hoje já fico acordado o dia inteiro, já converso mais. Sinto uma melhora. Não do jeito que eu queria, porque atleta é todo apressado. Mas tenho que dar tempo ao tempo. O que aconteceu foi muito grava e graças a Deus eu ainda vou poder voltar a jogar bola.” Disse o zagueiro que perdeu quase 15 quilos.

“Ou eu vou melhorar e vou representar aqueles caras do jeito que eles eram ou eu vou me afundar na depressão. Vou ficar lembrando sempre com saudade. Sei que só ficou coisa boa. A gente comentava sempre “a gente foi pra final e vai ficar pra sempre na história do clube’, ‘Deus tá ajudando muito a gente, nosso time é modesto, não é conhecido, nós vamos ficar pra história’. A gente conversava entre a gente, e ficou na história de certa forma. Vira e mexe me pego chorando em casa, lembrando o que vivi aqui dentro, mas eu tenho que me recuperar. Tenho certeza que eles estão nos braços do Pai, em um lugar muito melhor do que a gente está. Sei que os caras estão num lugar bom e tenho que melhorar. A parte física e mental. E nada melhor do que estar aqui. Tenho que superar e levar a vida, senão acabo me afundando na depressão e sei que Deus não quer isso na minha vida não”.