Fim de uma era: relembre os 16 anos de Bernardinho no comando da seleção

crédito: divulgação CBV
crédito: divulgação CBV

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou na tarde desta quarta-feira (11/01) que o técnico Bernardo Rocha de Rezende, mais conhecido como Bernardinho, deixará o comando da Seleção Masculina de  Vôlei após 16 anos. Bernardinho é o técnico mais vitorioso da história do vôlei masculino, sendo o comandante de duas conquistas olímpicas e de três campeonatos mundiais. O Torcedores.com relembra os principais momentos de da vitoriosa carreira de Bernardinho com a Seleção, desde 2001 até 2016. Confira

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2001 – A CHEGADA E OS PRIMEIROS TÍTULOS

Bernardinho foi o técnico da Seleção Feminina de Vôlei de 1994 a 2000. No período, conquistou duas medalhas olímpicas de bronze em 1996 e 2000, com a frustração de ter perdido duas semifinais para Cuba por 3 sets a 2. Decidindo respirar novos ares, Bernardo aceitou o desafio de treinar a seleção masculina, uma decisão que logo no primeiro ano de comando do treinador a frente da seleção, se mostraria acertada. Com alguns remanescentes da geração de ouro de 1992 e novos talentos chegando, Bernardinho montou uma grande equipe e de cara obteve grandes resultados logo no primeiro ano. o técnico comandou o Brasil a conquista de sua primeira Liga Mundial de Vôlei desde 1993. Além da Liga Mundial, o Brasil conquistou o campeonato Sul-Americano e a Copa América, mostrando que grandes momentos poderiam chegar nos próximos anos

 

2002 – A PRIMEIRA FRUSTRAÇÃO EM CASA E O PRIMEIRO GRANDE TÍTULO

O ano de 2002 foi de altos e baixos para Bernardinho. De junho a agosto, o Brasil disputou a Liga Mundial em casa e a expectativa do segundo título consecutivo era grande. A campanha na primeira fase foi boa e o time chegou a final vencendo seus 3 jogos. A Rússia, entretanto, frustou Bernardinho e seus jogadores, calando o ginásio Mineirinho, em Belo Horizonte na grande final ao vencer por 3 sets a 1. Menos de um mês depois, o time viajou para a Argentina para disputar o Campeonato Mundial de Vôlei, torneio que ocorre de quatro em quatro anos. O Brasil até então nunca havia conquistado este título. Mostrando que não estava abalada com a derrota da Liga Mundial, a Seleção perdeu apenas um jogo na competição na primeira fase. Nos confrontos eliminatórios, o Brasil bateu a atual tricampeã mundial Itália nas quartas de final e depois venceu Sérvia e Montenegro por 3 sets a 1 na semifinal. O adversário da final foi a conhecida Rússia e a vingança pela derrota em casa não poderia ter sido melhor: 3 sets a 2 de virada, com direito a 15 a 13 no tiebreak. Era o primeiro dos 3 títulos consecutivos que o Brasil viria a conquistar.

 

2003 a 2007 – UM TIME PRATICAMENTE IMBATÍVEL

Bernardinho revolucionou o vôlei no início dos anos 2000. Montou um time mesclado com jogadores novos como Giba, Ricardinho, Gustavo, Dante e André Nascimento e experientes, como Maurício, Tande, Nalbert e Giovane. O Resultado foi uma equipe extremamente técnica e veloz, que praticava um voleibol difícil de ser batido. Os títulos começaram a vir na sequência. Tirando a frustrante medalha de bronze nos Jogos Pan Americanos de 2003, o Brasil conquistou praticamente tudo que disputou de 2003 a 2007: Foram impressionantes 5 títulos consecutivos da Liga Mundial, 3 campeonatos Sul-Americanos, duas Copas do Mundo de Vôlei e o bicampeonato Mundial em 2002. Mas o título mais importante veio em 2004, na Olimpíada de Atenas. Foi lá que Bernardinho conquistou aquilo que lhe faltava na carreira: a tão sonhada medalha de ouro olímpica. O Brasil foi praticamente imbatível na competição, vencendo a Itália, país que se tornaria o maior freguês de Bernardinho nos anos seguintes, na grande final por 3 sets a 0.  A chegada de Bernardinho também revolucionou o trabalho de base no Brasil. Sempre atento aos novos talentos, o Brasil passou a ter boas peças de reposições para os astros mundiais, algo que elevou muito o patamar do vôlei no país.

 

2008 – CRISE COM RICARDINHO E O PIOR ANO DE BERNARDINHO NO COMANDO DA SELEÇÃO

Depois do ouro olímpico de 2004, o Brasil virou uma máquina muito difícil de ser batida. Os jogadores passaram a ser mais procurados pela mídia. O técnico também não passou ileso neste aspecto. Bernardinho passou a estrelar comerciais de tv e até lançou o livro “Transformando Suor em Ouro”, obra motivacional relatando o método de treinamento aplicado pelo treinador. As coisas iam bem, até o técnico da seleção entrar em conflito com Ricardinho, habilidoso levantador da Seleção Brasileira, titular desde a aposentadoria de Maurício. Às vésperas dos Jogos Pan Americanos do Rio em 2007, Ricardinho foi cortado da equipe e a “Família Bernardinho” entrou em crise, num episódio que foi muito mal explicado à época.  Anos mais tarde, o jogador Giba revelou em sua biografia que Ricardinho foi cortado por atos de indisciplina O próprio Bernardinho, naos mais tarde, se mostrou arrependido e ligou o problema a uma “crise de egos”. O fato é que as coisas começaram a desandar dali para frente. Na Liga Mundial de 2008, disputada no Rio de Janeiro, o Brasil sequer chegou entre os primeiros colocados, algo que não acontecia desde de 1999. Meses depois, nas Olimpíadas de Pequim, as coisas não correram bem novamente. Apesar de ter feito um torneio tão bom quanto em 2004, Giba e companhia enfrentaram os Estados Unidos na grande final e foram surpreendidos pelo placar de 3 sets a 1. Foi o primeiro ano da Era Bernardinho sem a conquista de um título. Bernardinho ainda sofreu muitas críticas pelo fato de ter colocado seu filho Bruno Rezende para a vaga do até então titular Ricardinho.

 

2009 a 2011 – RENOVAÇÃO E VOLTA AO TOPO

Muitos acreditaram que após o “fracasso” de 2008, o time de Bernardinho não conseguiria ser o mesmo de antes. E o consagrado técnico provou que os críticos estavam errados. Promovendo a inclusão de novos talentos como Lucão, Leandro Visotto e outros, Bernardinho conseguiu manter o time extremamente competitivo no ciclo olímpico seguinte. Ainda que não tão dominante quanto antes, o Brasil seguia entre as potências do vôlei e era muito difícil de ser batido. No período até a Olimpíada de Londres de 2012, o Brasil faturou mais duas Ligas Mundiais em 2009 e 2010, se tornando o país mais vencedor do torneio com 9 conquistas, ultrapassando a poderosa Italia dos anos 90 (8 triunfos no total). Além disso, Bernardinho entrou novamente para história ao se tornar tricampeão Mundial, algo que somente a Itália havia conseguido, de 1990 até 1998.

 

2012 – NOVAMENTE, UM ANO COMPLICADO

Bernardinho entrou no ano de 2012 com um objetivo: conseguir o segundo título olímpico, e se igualar ao técnico José Roberto Guimarães, campeão com os homens em 1992 e com as mulheres em 2008. O time, entretanto, já era outro totalmente diferente em relação ao que dominou o mundo no início dos anos 2000. Apenas os envelhecidos Serginho, Giba, Rodrigão, Dante e Ricardinho, que fez as pazes com o treinador anos após a briga, participaram da conquista olímpica de 2004. O Brasil não foi bem na Liga Mundial daquele ano, ficando de fora das 4 primeiras colocações pela primeira vez desde 1999. Sob olhares de desconfiança, a Seleção chegou ao Jogos Olímpicos de Londres e novamente, surpreendeu a todos ao perder apenas uma partida na fase de grupos para os algozes americanos de 2008. Foram apenas 5 sets perdidos durante o resto da competição, com passagens fáceis pelas fases de quarta e semifinal. Na grande final, o adversário seria a grande rival Rússia. O Brasil vencia por 2 sets a 1 e parecia que ficaria com o título, mas uma grande mexida do técnico russo surpreendeu Bernardinho. O central Muserskiy foi colocado na ponta, desmontou o time brasileiro e a Rússia foi campeã ao vencer por 3 sets a 2. Tudo indicava que o técnico deixaria o cargo após 11 anos no comando.

 

2013 a 2015 – BATENDO NA TRAVE NO ÚLTIMO CICLO OLÍMPICO

Para a surpresa de todos, Bernardinho voltou ao comando da Seleção após as Olimpíadas de Londres. Seu objetivo era formar uma nova geração vencedora, já que todos os campeões de 2004 já haviam se aposentado, à exceção do líbero Serginho. Bernardinho conseguiu fazer algo semelhante ao que fez no início de sua carreira: misturou jogadores experientes como Serginho, Bruninho e Wallace com novos talentos como Éder e Luccarelli. O time era bom, mas não tinha o mesmo poder decisivo que a geração de 2000 possuía. Foram dois vice-campeonatos da Liga Mundial em 2013 e 2014 e um no Campeonato Mundial de 2014. sendo este o mais dolorido, já que o Brasil perdeu a chance de se tornar o único tetra-campeão mundial da história. Muitos achavam que a história se repetiria na Rio 2016, principalmente por mais um desempenho ruim do Brasil jogando em casa. Bernardinho não conseguiu colocar o seu time entre os 4 primeiros colocados da Liga Mundial de 2015, conhecendo assim a sua terceira frustração em casa.

 

2016 – ACERTO NA CONVOCAÇÃO E A GLÓRIA APÓS 12 ANOS

Com o histórico de não ir bem em casa e de não decidir nas partidas decisivas, Bernardinho começou 2016 sob muita desconfiança. Mas o treinador mostrou que aprendeu com os erros do passado e fez uma brilhante convocação para a disputa dos Jogos Olímpicos em casa. Diferentemente de 2012,quando deu uma chance a um lesionado Giba ao invés de apostar em jogadores novos, Bernardinho não chamou jogadores veteranos que vinham de lesões para investir em jogadores sem experiência olímpica, mas que vinham fazendo boas temporadas na Super Liga. Com isso, jogadores como Murilo e Sidão ficaram de fora, para dar lugar aos novatos em Olimpíadas Mauricio Souza e Maurício Borges. O time foi bem na Liga Mundial de 2016 e ficou com o vice-campeonato, perdendo para a final para a Sérvia, país que não iria aos Jogos Olímpicos e estava focado naquela competição. Como o Brasil deixou para trás adversários que viviam melhor fase, como Itália, Estados Unidos e França, as expectativas dos torcedores brasileiros aumentou. Nos Jogos do Rio, o Brasil pegou um grupo muito complicado e após vencer os fracos times de Canadá e México, perdeu para os fortes Estados Unidos e Itália e ficou precisando de uma vitória diante da França para se classificar e não ser eliminado na fase de grupos, algo que nunca havia ocorrido na Era Bernardinho. Deixando a fama de “não aparecer em momentos decisivos”, O Brasil venceu a França por 3 sets a 1 e se classificou. A partir daí, o time embalou, venceu a primeira colocada do outro grupo Argentina nas quartas de final, atropelou a algoz de 2012 Rússia na semifinal e chegou ao terceiro título olímpico após vencer a freguesa Itália na final por 3 sets a 0. Era o fim da fama de “amarelão”  em casa e de uma espera de 12 anos.

 

2017 – O FIM

A dúvida se Bernardinho iria ou não voltar ao comando da Seleção surgiu logo após as Olimpíadas do Rio. O técnico demorou para se decidir e tomou a decisão de encerrar o seu ciclo após o Natal de 2016. O técnico se despede com um currículo que inclui 2 títulos Olímpicos, 3 Mundiais, 8 conquistas da Liga Mundial, 3 Copas dos Campeões, duas Copas do Mundo e dois Campeonatos Pan Americanos.



Paulistano, 27 anos, deixou a publicidade e o marketing esportivo para ingressar no jornalismo e conseguir cobrir grandes eventos esportivos. Apaixonado por esportes olímpicos e futebol americano, sonha em estar no Rio de janeiro em 2016 para cobrir os Jogos Olímpicos in loco.