Ex-diretor da Ferrari diz que hoje não repetiria “erro” com Rubinho e Schumacher

Foto: Reprodução TV
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O inglês Ross Brawn era diretor técnico da Ferrari no famoso GP da Áustria de 2002, prova disputada em Speilberg, no dia 12 de maio e que teve um dos finais mais controversos da história da F1.

Na ocasião, Rubens Barrichello dominava a prova de ponta a ponta, saindo na pole e liderando 70 das 71 voltas previstas, até que no giro final, ele cedeu a primeira posição para Michael Schumacher. No parque fechado, o alemão foi recebido não com os aplausos de sempre para o vencedor, mas com uma das maiores vaias vistas em um autódromo.

A ordem de equipe em nada mudou a classificação daquela temporada, que terminou com Schumacher sendo pentacampeão mundial, só que hoje – passados 15 anos daquele episódio, Brawn entende que a determinação foi um imenso erro e que hoje em dia, sua atitude seria bem diferente, segundo declarações dadas à revista F1 Racing.

“Refletindo, a Áustria foi um erro. Antes da corrida nós discutimos sobre como administraríamos essa situação se acontecesse. Então entramos na corrida, Rubens estava à frente de Michael e lhe dissemos: ‘Ok, pode deixá-lo passar agora’.”, falou o então dirigente, que foi questionado pelo brasileiro, líder da prova.

“’Não, não me peça para fazer isso. Esta é minha grande chance de vencer a corrida. Não pode pedir para eu fazer isso!’”, retrucou o brasileiro. Ao mesmo tempo, Schumacher esperava o chamado para a ultrapassagem.

“Neste momento, Michael também estava no rádio e queria saber quando Rubens iria deixá-lo passar, como havíamos acordado previamente. Como conciliar tudo isso se não fizemos o que havíamos dito que faríamos na reunião. E assim foi, em última análise, por que dissemos a Rubens que ele teria de fazer isso, e claro, fez disso uma grande amostra do quanto ele estava chateado”, contou.

A demonstração de repúdio do público deixou o corpo diretivo e o alemão chocados, a ponto de Michael tentar remediar a situação colocando Barrichello no ponto mais alto do pódio enquanto era executado o hino alemão. Contudo o gesto rendeu uma posterior multa de US$ 1 milhão. O episódio até hoje cala fundo na Ferrari

“Logo a coisa piorou porque Michael viu a reação do público e colocou Rubens no degrau mais alto do pódio, e porque a FIA nos multou em US$ 1 milhão. Se eu olho para trás, insisto que a troca de posição teve consequências muito piores do que teria sido apenas um mero problema interno da equipe. As consequências daquilo foram muito piores se Rubens tivesse vencido a corrida e se tivéssemos discutido isso de forma privada”, relembrou Brawn, garantindo que hoje em dia, tudo seria diferente.

“Se pudesse voltar atrás, não teria feito o que fizemos porque as consequências foram maiores do que poderíamos considerar. Algo que deveria ter sido um assinto interno da equipe se tornou muito político”, concluiu.