Wilson Fittipaldi Jr fala sobre a Fórmula Vee Junior e o futuro do Brasil na F1

Wilsinho Fittipaldi
Crédito das fotos: Fernando Santos/Divulgação FVee

Confira agora a segunda parte da entrevista de Wilson Fittipaldi Jr, também conhecido como Wilsinho, que foi piloto de Fórmula 1 entre 1972 a 1975, e ainda criou a Fittipaldi-Copersucar, única equipe brasileira da história da principal categoria do automobilismo mundial. Nesta parte, ele fala sobre a nova categoria do automobilismo nacional, a Fórmula Vee Junior, criada para desenvolver jovens talentos, além de comentar a respeito do futuro do Brasil na F1 e também sobre a possibilidade de privatização do circuito de Interlagos.

LEIA MAIS:
IRMÃO DE FITTIPALDI DIZ POR QUE O SONHO “COPERSUCAR” NA F1 NÃO DEU CERTO

Torcedores.com: O que acha do atual cenário brasileiro na Fórmula 1, com a possibilidade de não ter nenhum piloto no grid de largada em 2017?
 Wilsinho: Houve uma espera muito longa, principalmente da Confederação Brasileira, que não cumpriu seu papel de gerir e ter responsabilidade em relação ao automobilismo nacional. Na verdade, houve um grande desleixo da confederação no trabalho de formação de jovens pilotos, e acredito que esse problema não vai ser fácil de resolver. Apesar da recente reviravolta e do retorno do Felipe Massa, eu não vejo ninguém, nenhum piloto brasileiro, em condições de chegar à Fórmula 1 num prazo de cinco anos. O próprio Massa não pode ser visto como uma solução ou esperança. A motivação dele não será a mesma de anos atrás. Ele já tinha encerrado sua carreira na F1, teve sua despedida e tudo mais que mereceu. Mas eu também já passei por isso, e sei que a motivação é diferente, não é a mesma de guiar no seu limite máximo. Para usar uma expressão popular, mas que é real, ele volta como um quebra-galho na Williams.

Torcedores.com: O que se pode esperar do Enzo Fittipaldi, neto do Emerson, que acaba de entrar na Academia Ferrari? Ele pode chegar à Fórmula 1 no futuro?
 Wilsinho: O Enzo está com apenas 15 anos e conseguiu abrir uma ótima porta para sua carreira. Ele tem um grande potencial, e está com muita motivação, ao contrário do Massa, como falei. Ele foi escolhido entre dezenas de candidatos no mundo todo. Apenas ele e mais um entraram para a Academia Ferrari, que é algo fantástico. Lá, ele irá aprender muito, terá a melhor estrutura. Com certeza, ele irá brigar para chegar à Fórmula 1, mas é preciso esperar, dar o tempo necessário. É difícil julgar agora até onde ele irá alcançar.

Torcedores.com: Conte-nos um pouco mais sobre a Fórmula Vee Junior, a qual foi lançada em dezembro. A possível falta de um piloto brasileiro no grid de largada da Fórmula 1 em 2017 é um dos motivos para a criação da nova categoria?
Wilsinho: A Fórmula Vee Junior foi criada para preparar os novos pilotos e ajudá-los a chegar à Fórmula 1. A intenção é que o piloto, geralmente saído do kart, passe um ano da F-Vee Junior e depois mais um ou dois na F-Vee, e então siga para correr na F4, F3 e F2 na Europa, até ter a oportunidade de brigar por uma vaga na F1. Já neste ano vamos criar duas escolas de pilotagem, eu serei instrutor, uma para esses jovens que estão saindo do kart e outra para pilotos veteranos, aqueles que costumam alugar carros de FVee para competir na categoria de monopostos. Todos os pilotos terão um pacote de baixo custo, que inclui participação em provas e treinos, equipe de apoio nos boxes, peças mecânicas e acompanhamento médico. O fato de ter um preço acessível é um grande incentivo e atrativo para quem quer começar e principalmente para ter uma formação sólida para uma carreira de sucesso nas pistas. E ainda este ano iremos lançar um carro totalmente novo, que está sendo projetado pelo engenheiro Ricardo Divila, que me acompanhou na equipe Fittipaldi na F1. O carro será usado tanto na FVee quanto na FVee Jr.

Torcedores.com: Como um ex-chefe de equipe, se estivesse na Mercedes agora, qual seria o piloto que na sua opinião é o ideal para substituir o atual campeão Nico Rosberg?
Wilsinho: Essa é uma decisão difícil, é preciso saber a situação do contrato de cada um. Mas se pudesse escolher, entre todos, optaria pelo Fernando Alonso. Ele é muito experiente, e ainda anda muito rápido. O Alonso já foi companheiro do Hamilton na McLaren, e lá saiu até faísca entre eles. Acho que na Mercedes não seria diferente, e não me surpreenderia se soubesse que o Hamilton já tratou de vetar o reencontro com o ex-companheiro.

Torcedores.com: Nos últimos meses, o Autódromo de Interlagos ganhou espaço no noticiário politico, por conta da proposta do novo prefeito de São Paulo, João Dória, de privatizar o circuito. Qual a sua opinião a respeito, levando em conta todo o seu passado e o da sua família com o automobilismo brasileiro?
Wilsinho: Pode ser bom, ou não. Antes de tudo, é preciso saber quem vai cuidar do autódromo. Se for privatizar, a empresa responsável deve ter definidas suas obrigações, para não corrermos o risco de ter pessoas sem a mínima ideia do que estão fazendo. Hoje, tecnicamente, não há mais o que se fazer em Interlagos com relação à pista. O asfalto está bom, os boxes, que foram reformados, também. E há pouco espaço para novas construções, já chegou ao limite. Mas é claro que se formos comparar com os novos e grandes autódromos, principalmente os da Ásia, Interlagos mais parece um grande kartódromo.

Torcedores.com: Seu irmão passou por um momento difícil ao assumir em rede nacional que estava com dívidas. Como foi para a família ajudá-lo? Ele já superou esse momento?
Wilsinho: O Emerson está superando bem os problemas que ele apresentou. Eu acredito que dentro de um ano, um ano e meio, ele já terá passado por cima desses obstáculos e dará continuidade aos seus negócios.