Irmão de Fittipaldi diz por que o sonho “Copersucar” na F1 não deu certo

Wilsinho Fittipaldi
Crédito das fotos: Fernando Santos/Divulgação FVee

Irmão do bicampeão mundial de Fórmula 1 Émerson Fittipaldi, Wilson Fittipaldi Jr, ou Wilsinho como é conhecido, também se aventurou na principal categoria do automobilismo mundial entre 1972 à 1975, disputando ao todo, 35 Grandes Prêmios. Aliás, ele foi um pouco mais além e realizou um grande sonho: ter sua própria equipe, que foi criada em 1975, a Fittipaldi-Copersucar. No bate papo, ele falou por que a equipe criada por ele e seu irmão não deu certo na F1:

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Torcedores.com: Qual foi o momento mais marcante da sua carreira?
Wilsinho: Na verdade, houve dois momentos marcantes. O primeiro foi na disputa do GP de Monte Carlo, em 1973. Eu estava em terceiro lugar, a duas voltas do final, menos de um segundo atrás do Emerson, que estava a pouco mais de um segundo atrás do líder, o Jackie Stewart. E em quarto ainda vinha o Ronnie Peterson, também colado na minha traseira. De fato, os quatro carros andavam juntos num espaço de poucos metros. Mas infelizmente meu combustível terminou e perdi a chance de conquistar o pódio ou até mesmo brigar pela vitória no final da prova.

O outro momento marcante foi como chefe de equipe da escuderia Fittipaldi, quando conquistamos o segundo lugar no GP Brasil de 1978, no Rio, com o Emerson ao volante. Mais importante do que o resultado foram as circunstâncias. Pouca gente sabe, mas o carro do Emerson teve uma falha mecânica a cerca de 20 minutos da largada. Quebrou o semieixo. Não havia tempo para trocar, e todos ficaram muito preocupados. Mas eu tinha confiança no carro reserva, que eu deixei preparado como se fosse para correr. O Emerson não ficou muito animado, mas logo na volta de aquecimento deu para perceber que o carro estava rápido, tão bom ou até melhor do que o carro titular. E o resultado em Jacarepaguá foi fantástico, o maior da história da nossa equipe na Fórmula 1.

Torcedores.com: Qual foi a sua reação no GP de Mônaco de 1973, quando abandonou a prova e estava prestes a ir ao pódio com o seu irmão, Emerson?
Wilsinho: Naquele momento, o mundo desabou na minha cabeça. Estava tão perto de um resultado histórico, com os quatro primeiros carros correndo juntos, a duas voltas do final. Pódio, chance de vencer… Foi muito triste…

Torcedores.com: O que lhe motivou a criar uma equipe de Fórmula 1?
Wilsinho: Quando começamos a correr no automobilismo, eu e o Emerson sempre tivemos nossa equipe própria. Acredito que competimos 90% com equipe própria. Começamos com o Kart Mini, depois lançamos a Fórmula Vee e em seguida a Fitti Porsche, tudo isso nos anos 60. E quando chegamos à Fórmula 1, nosso grande sonho era ter uma equipe própria, era o máximo. Então, em 1974, eu, o Emerson e o Ricardo (Divila, engenheiro e projetista) decidimos construir o carro, e já estávamos correndo em 1975.

Torcedores.com: Tem alguma mágoa ou arrependimento de ter criado a Copersucar?
Wilsinho: Nenhuma mágoa ou arrependimento. Tenho sim muita tristeza por não ter conseguido patrocinadores para poder competir por mais anos. Infelizmente, naquela época não tivemos o devido reconhecimento do que é montar uma equipe 100% brasileira na Fórmula 1, algo que nunca mais se repetiu. Tivemos muitas críticas e situações em que fomos motivos de piadas, e isso inviabilizou muitos negócios, patrocínios, que iriam ajudar a equipe.

Torcedores.com: Fale-nos um pouco sobre o filme que está sendo feito sobre a equipe Fittipaldi.
Wilsinho: Este é um trabalho muito importante, que já vem sendo feito há alguns anos (três anos de produção). O filme está previsto para ser lançado neste ano e vai se chamar “As Asas de Ícaro – A Verdadeira História da Equipe Fittipaldi”. É uma grande oportunidade para mostrarmos o que de fato aconteceu naqueles anos. Creio que todos que passaram pela equipe, pilotos, engenheiros, mecânicos, deram depoimentos. Muita gente não sabe o que se passava e não tinha noção do que estávamos fazendo. E isso será contato neste filme-documentário que está sendo feito pelo diretor Fernando Dourado, da Itoby Filmes.

Torcedores.com: Como foi a fase em que teve que cuidar da carreira do seu filho, Christian? Foi muito difícil?
Wilsinho: Eu acompanhei o Christian bem de perto durante toda a sua carreira, desde o kart, até chegar à Fórmula 1. O que devia ser feito, eu fiz. Depois, na F1, eu me afastei, achei que era o momento de ele seguir em frente. Antes da F1, o Christian ganhou diversos campeonatos no Brasil, sul-americanos e na Europa. Hoje, eu sigo sua carreira como espectador. Quando vou a alguma corrida nos EUA, eu vou aos boxes, mas não entro em detalhes técnicos. Ele está muito bem atualmente, é o atual tricampeão da United SportsCar, que é a categoria de protótipos mais importante nos Estados Unidos depois da Nascar. A principal prova da categoria é as 24 horas de Daytona, que neste ano será disputada dia 28 de janeiro.