Retrospectiva: Veja quais tabus caíram esse ano

Foto:Twitter oficial do Palmeiras
Foto:Twitter oficial do Palmeiras

Tabus. Eles são incômodos e podem durar uma década, duas ou até um século, mas quando são quebrados a festa não tem hora para acabar. E 2016 foi um ano em que diversos tabus foram derrubados me diversos esportes, como futebol, automobilismo, basquete e beisebol.  Confira aqui quais foram derrubados nos esportes em 2016.

 

Palmeiras

22 anos. Esse foi o período em que o Palmeiras demorou em levantar a taça do Campeonato Brasileiro. É verdade que nesse período vieram outros títulos importantes, como as três Copas do Brasil e a Libertadores, mas o título máximo no futebol nacional não vinha e não foi por falta de tentativas: 1996, 1997, 2001, 2008 e 2009 são provas desse fato.

O Palmeiras começou o Campeonato Brasileiro de forma irregular. Cinco jogos, três vitórias e duas derrotas. O time jogava bem em casa, tinha dificuldades fora; contudo, o triunfo em cima do Flamengo em Brasília, onde o time carioca mandou o jogo e com grande torcida rubro-negra, fez o time engrenar e na nona rodada o Palmeiras assumiu a liderança.

Depois de perder dois jogos seguidos, para Atlético-MG e Botafogo, o time caiu para terceiro lugar, mas a retornou ao primeiro lugar na última rodada do primeiro turno e não o largou, apesar das ameaças do Flamengo e seu “cheirinho de hepta”; e também do Santos, que cresceu nas últimas rodadas do campeonato. A confirmação no nono título brasileiro veio no dia 27 de novembro, com uma vitória sobre a Chapecoense por 1 a 0. A festa parecia que ia durar dias, mas ela acabou de forma repentina e trágica devido ao acidente aéreo que vitimou, por ironia, a mesma Chapecoense, contra quem o time da Barra Funda comemorou o título.

 

Grêmio

No dia 15 de junho de 2001, o Grêmio venceu o Corinthians no Morumbi e se sagrava tetracampeão da Copa do Brasil. Depois disso, foram 15 anos sem títulos de nível nacional para o tricolor gaúcho, que depois da eliminação para o Rosário Central na Libertadores desse ano, teve que aguentar diversos memes sobre baile de debutante.

Entretanto, o tricolor gaúcho começou a Copa do Brasil, decidido a acabar com o jejum. Nas oitavas, enfrentou o Atlético PR, que eliminou após um empate em 1 a 1 na soma dos placares e 16 pênaltis, com grande destaque para os goleiros. Nas quartas, o rival foi o embalado Palmeiras, que já liderava o Brasileiro. No primeiro jogo, no sul, 2 a 1 para o Grêmio, mas o gol palmeirense deixou o tricolor apreensivo, pois uma vitória simples em São Paulo classificaria o alviverde, e no jogo de volta, 1 a 0 para o Palmeiras, gol de Allione, que acabou expulso, permitindo o tricolor gaúcho empatar e garantir a ida para as semifinais contra o Cruzeiro.

Em seguida o caminho foi mais tranquilo. 2 a 0 no Mineirão, logo de início para mostrar força, e um empate em 0 a 0 no jogo de volta, levando o time para a final. O adversário era o Atlético MG. Usou a mesma tática: 3 a 1 no primeiro jogo, com destaque para Pedro Rocha, que marcou dois gols antes de ser expulso. Em respeito as vítimas do voo que levava a Chapecoense, os gremistas seguraram o grito de campeão por mais uma semana. O jogo de volta, com placar de 1 a 1, encerrou um jejum incômodo, e ainda com um prazer extra de ver o Internacional ser rebaixado.

 

Cidade de Cleveland

A cidade de Cleveland, localizada no nordeste dos Estados Unidos, ficou 52 anos sem ver um time campeão de uma das principais ligas esportivas estadunidenses; desde que os Browns venceram a NFL em 1964 (quando o Super Bowl ainda não existia). Contudo, o Cavaliers, comandado por LeBron James, colocou um ponto final no que ficou conhecida como “Maldição de Cleveland”

A temporada do Cavaliers começou forte, com oito vitórias em dez jogos. No final da temporada regular, o time fez a melhor campanha da Conferencia Leste, com 57 vitórias em 82 jogos. Nos playoffs, passou fácil pelo Detroit Pistons e pelo Atlanta Hawks. Sofreu um pouco contra o Toronto Raptors, onde abriu 2 jogos a 0, mas deixou empatar e finalizou a série no sexto jogo, com 4 a 2.

O título ia ser decidido contra o forte time de São Francisco, o Golden State Warriors. E começou mal, com os Warriors abrindo 3 a 1 e ganhando o primeiro quarto do quinto jogo. Entretanto, o Cavaliers respirou fundo e começou a reação, ganhando a partida por 112 a 97. No sexto jogo, o time de Cleveland chegou a abrir 20 pontos e deixou diminuir para sete, mas no último quatro veio à reação e o placar foi de 115 a 101.

O sétimo e último jogo começou dramático. Ao fim de dois quartos, os Warriors lideravam o placar por 49 a 42. A decisão veio no último quarto, quando o Cavaliers se superou ganhou o jogo por 93 a 89 e finalmente levando o título para Cleveland e acabando com 52 anos de jejum..

 

Chicago Cubs

Na última vez que o Chicago Cubs venceu uma World Series, a mais importante série de beisebol do mundo, a Primeira Guerra Mundial não tinha nem acontecido, e isso não é piada. O time da cidade de Chicago ganhou seu último título em 1908 e, desde então, os Cubs jamais ganharam outra World Series, embora tenha chegado a disputa-la outras vezes, a última em 1945, quando começou a Maldição de Billy Goat, que foi quando William Sianis (dono da taverna Billy Goat) foi expulso do Wrigley Field por ter sido proibido de entra com seu bode no estádio.

No entanto, em 2016, a história foi diferente. Os Cubs estavam dispostos a acabar de com a maldição, terminando a temporada com a melhor campanha. Na primeira rodada dos playoffs, o adversário foi o San Francisco Giants. o qual derrotou por 3 jogos a 1. Na semifinal, o rival foi o Los Angeles Dodgers, que chegaram a abrir a série em 2 a 1, mas o time de Chicago não tremeu e virou para 4 a 2, classificando o time para a tão sonhada World Series.

A final era contra o Cleveland Indians. A cidade de Cleveland já tinha comemorado com a conquista do Cavaliers e queria mais um título, e conseguiram abrir a série em 3 a 1. Mas os Cubs estavam decididos a dar um fim na maldição e empataram em 3 a 3, levando a decisão para o jogo sete, que foi um dos mais emocionantes que o beisebol já viu. Os Cubs abriram o placar em 6 a 3, mas acabaram deixando os Indians empatarem e a partida só foi decidida na entrada extra. 8 a 7 foi o placar final, colocando um fim num dos maiores tabus da história do esporte mundial.

 

Holanda na Fórmula 1

A Holanda é um dos países mais desenvolvidos da Europa e do mundo, e sempre teve muita ligação com o automobilismo, recebendo diversos GPs da Fórmula 1 entre os anos 60 a 80,  além de duas vitórias nas 500 milhas de Indianápolis com Arie Luyendyk. Mas faltava algo: uma vitória na Fórmula 1. Afinal. 16 pilotos holandeses tinham competido na categoria, mas sem sucesso, enquanto que Colômbia e Venezuela, países sem tradição do esporte, tiveram pilotos no posto mais alto do pódio.

Contudo, tudo mudou quando o russo Daniil Kvyat foi rebaixado da Red Bull para a Toro Rosso após uma série de acidentes, e o jovem Max Verstappen foi alçado para a equipe principal. A estreia do jovem holandês foi na Espanha, uma corrida atípica para essa temporada devido ao acidente entre os dois carros da Mercedes, dominantes em todo o campeonato.

Usando a estratégia de economia de pneus e o fato de que o circuito da Catalunha quase não tem pontos de ultrapassagem, o jovem Verstappen segurou Kimi Räikkönen por várias voltas até finalmente receber a bandeira quadriculada, se tornando o piloto mais jovem a vencer na Fórmula 1. E finalmente a Holanda sentiu o gosto de uma vitória na categoria máxima do automobilismo.

 

Futebol Brasileiro nos Jogos Olímpicos

O Brasil ganhou todos os torneios que disputou no futebol. Ou melhor, quase tudo. Faltava algo: a medalha de ouro olímpica. Várias tentativas foram feitas, como as finais de 1984, 1988 e 2012, além da derrota para a Nigéria em 1996, quando estava ganhando de 3 a 1.

Com os jogos Olímpicos no Brasil, uma nova chance apareceu para sair da fila, principalmente por conta da presença de Neymar, além das promessas Gabigol e Gabriel Jesus. Contudo, a goleada sofrida pela Alemanha na Copa do Mundo e o péssimo desempenho na Copa América deixava dúvidas sobre essa conquista. E os dois primeiros jogos, contra África do Sul e Iraque, ambos terminados em 0 a 0. A equipe comandada por Rogério Micale ficou desacreditada. Temia-se o próximo jogo, contra a Dinamarca, que seria de vida ou morte. Mas a equipe superou seus problemas e o resultado foi uma goleada por 4 a 0 em cima dos nórdicos, classificando o time em primeiro lugar no grupo A. Nas quartas de final, o adversário foi a Colômbia, que venceu por 2 a 0. Na semi, outra goleada: 6 a 0 em cima de Honduras.

Quis o destino que a final fosse contra a Alemanha. Neymar abriu o placar aos 27 minutos do primeiro tempo, mas o alemão Max Meyer empatou aos 14 minutos do segundo tempo. O jogo foi para a prorrogação e pênaltis, e só na quinta cobrança alemã que a medalha veio, após Weverton defender o chute de Nils Petersen; sobrando para Neymar bater o último pênalti e garantir finalmente a medalha de ouro que faltava para o futebol brasileiro. Alívio e alegria verde e amarela