Pupo, Medina, Alex, Toledo e Italo avançam; confira como foi o dia em Pipe

Crédito da foto: WSL / Kelly Cestari.
Crédito da foto: WSL / Kelly Cestari.

O primeira dia do 2016 Billabong Pipe Masters foi bom para Miguel Pupo, Gabriel Medina, Alex Ribeiro, Filipe Toledo e Italo Ferreira. Os brasileiros venceram suas baterias e avançaram diretamente para o round 3 do evento. Com ondas bem abaixo da média, em questão de tamanho, e majoritariamente abrindo para Backdoor (da esquerda para direita na perspectiva do surfista), Jordy Smith, John John Florence e Kelly Slater também vão à terceira fase.

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Round 1

Pipe Master de 2014, Julian Wilson levou com tranquilidade uma vitória por 15.07 (8.50 + 6.57) contra Wiggolly Dantas (8.60) e Ryan Callinan (8.50) na primeira bateria do evento. Com ondas modestas para o padrão havaiano, Wilson apostou nas batidas e rasgadas para construir seu placar.

Muito pressionado pela linha de corte entre as divisões de elite e de acesso do Circuito Mundial de Surfe para 2017, Miguel Pupo caiu na água contra Kolohe Andino e Bede Durbigde. Bede voltou a disputar um evento no WT desde que se contundiu na mesma praia, há um ano atrás. Focado, Pupo fez 11.40 (6.33 + 5.07) para avançar diretamente para o round 3.

– Meu amigo me acordou hoje, ‘Miguel, você sabe que a competição está rolando?’ e eu respondi, ‘não é possível, minha bateria é a segunda do dia e já são 8h da manhã!’. Só tive tempo de comer um pão e cair na água. Isso foi bom por um lado, não estava pensando na pressão desta bateria – contou Miguel logo após sair da água.

Crédito da foto: WSL / Tony Heff
Mesmo tendo acordado atrasado, Miguel mantém vivo seu sonho de se manter na elite. Crédito da foto: WSL / Tony Heff

Na terceira disputa deste round 1, Frederico Morais entrou brigando pela Tríplice Coroa, enquanto Nat Young pela sua manutenção na elite, porém quem roubou a cena foi Matt Wilkinson. Morais e Young se alternaram na liderança, porém no finalzinho Wilko arrancou a nota que precisava e avançou, coroando seu melhor ano na carreira.

Keanu Asing também está no limite entre as divisões e briga pela sua vaga no WT, porém acabou derrotado por Jordy Smith, outro que briga pelo título da Vans Triple Crown of Surfing. Quem completou esta bateria foi o havaiano de apenas 16 anos Finn McGill, jovem vencedor da triagem do Pipe Masters deste ano.

Já sem chances de se tornar campeão mundial nesta temporada, Gabriel Medina luta pelo inédito título do evento havaiano, onde foi finalista em 2014 contra Julian Wilson e diante de Adriano de Souza no último ano. Sua primeira batalha foi vencer Kanoa Igarashi e Bruce Irons, irmão da lenda Andy Irons. Com uma bela batida e um lindo floater, Medina somou 15.10 (8.60 + 6.50) para cumprir sua primeira missão.

– Foi uma bateira divertida, mas não fácil. As condições não estão fáceis, torço para que o mar melhore. (…) Seria maravilhoso fazer a final aqui, é uma onda que adoro, mas o mar ainda ainda não está como esperamos que esteja em uma etapa em Pipeline – disse Gabriel.

Após os vice-campeonatos em 2014 e 2015, Medina só pensa no título em Pipe. Crédito da foto: WSL / Kelly Cestari.
Após os vice-campeonatos em 2014 e 2015, Medina só pensa no título em Pipe. Crédito da foto: WSL / Kelly Cestari.

Sob os gritos da torcida na praia, John John estreou contra Jadson André e o compatriota Gavin Beschen. Florence dominou a bateria – com batidas e um bom tubo, chegou a somatória de 16.66 (8.83 + 7.83). O campeão desta temporada mostrou que chega forte neste evento, que também é inédito para ele.

– É muito divertido estar em casa e ter todo o apoio dos havaianos. Meus melhores amigos e minha família estão aqui na areia, estou muito à vontade. Tenho a vantagem de estar em casa, da torcida, mas todo o resto não. O mar está complicado e tenho contra mim os melhores adversários do mundo, nada está definido – disse após carimbar sua vaga na terceira fase.

John John em tubo para Backdoor. Crédito da foto: WSL / Kelly Cestari.
John John em tubo para Backdoor. Crédito da foto: WSL / Kelly Cestari.

O atual Pipe Master, Adriano de Souza teve o high score de sua bateria, mas com 10.54 (7.17 + 3.37), não consegui vencer Alex Ribeiro, que marcou 11.27 (5.50 + 5.77). Conner Coffin fez 10.27 (5.67 + 4.60). Alex surfa com menos pressão, pois não tem mais chances de se classificar para World Tour de 2017.

– Obviamente foi um ano ruim, mas agora é focar em fazer um bom 2017, corrigir os erros e voltar melhor. É minha primeira etapa no Havaí na elite, então agora é aproveitar e tentar ir avançando – admitiu Ribeiro.

Alex Ribeiro venceu apenas cinco baterias na elite este ano. Crédito da foto: WSL / Kelly Cestari.
Alex Ribeiro venceu apenas cinco baterias na elite este ano. Crédito da foto: WSL / Kelly Cestari.

Único duelo que reuniu dois vencedores do evento no passado – Jeremy Flores (2010) e Joel Parkinson (2012), o oitavo embate do dia teve, literalmente, Stu Kennedy como líder até o último segundo. Nos momentos finais, Flores precisava de apenas 1.17 e foi exatamente o que tirou, empatando com Kennedy. O francês avançou só no critério de desempate – 7.83 + 1.17 contra 5.00 + 4.00 para o australiano, ou seja, a maior nota da somatória decidiu.

Em um dia no qual a esmagadora maioria das ondas abriu para Backdoor (para direita), Filipe Toledo somou um belo tubo para Pipeline (para esquerda) e venceu sua bateria contra Josh Kerr e Adam Melling. Ao sair da água, Toledo analisou seu ano e comentou o fato de ter tornado-se pai de uma menina recentemente.

– Estou me divertindo muito sendo pai. Depois que você se acostuma, fica fácil. Estou querendo aproveitar minha vida como pai e já sinto muita falta da minha filha. Depois da minha lesão no início da temporada, consegui bons resultados e alcancei o Top 10. Agora é conseguir um bom resultado aqui e talvez chegar no top 5.

Novo pai do Circuito, Felipinho pode comemorar sua vaga no round 3. Crédito da foto: WSL / Kelly Cestari.
Novo pai do Circuito, Filipinho pode comemorar sua vaga no round 3. Crédito da foto: WSL / Kelly Cestari.

Na 10ª bateria, o 11 campeão mundial e maior vencedor de Pipeline Kelly Slater acertou um floater espetacular e somou 12.70 (6.33 + 6.37), contra 11.90 (6.17 + 5.73) de Kai Otton e 11.50 (6.50 + 5.00) de Caio Ibelli. Após sair da água, Slater conversou sobre 2017 e mostrou como está sua motivação para seu suposto último ano na carreira.

– Em 2017 entrarei no Tour para conquistar o título. Ver jovens competidores tão bons quanto John John é muito recompensador e motivante. Ver este tipo de rejuvenescimento no esporte é muito bom, estou tendo a mesma sensação de quando comecei.

Kelly despenca depois de seu floater. Crédito da foto: WSL / Tony Heff.
Kelly despenca depois de seu floater e completa a manobra. Crédito da foto: WSL / Tony Heff.

Na penúltima bateria do dia, o potiguar Italo Ferreira conseguiu a virada sobre Jack Freestone e Sebatian Zietz apenas após o término do tempo. Precisando de 5.38, o brasileiro deu boas batidas para Backdoor em sua última onda e ficou aguardando o score dos juízes. O resultado foi suficientes 5.67.

– Tentei pegar ondas para a esquerda no começo, mas as notas não vieram. A solução foi partir para as direitas e as notas melhoram. Na última onda dei meu melhor e agora é continuar firme no resto do campeonato – disse Italo.

As ondas de Backdoor ajudaram Italo a construir seu score. Crédito da foto: WSL / Tony Heff,
As ondas de Backdoor ajudaram Italo a construir seu score. Crédito da foto: WSL / Tony Heff,

Finalmente, na derradeira disputa deste cheio primeiro dia de competições, o taitiano Michel Bourez duelou contra a dupla australiana Adrian Buchan e Davey Cathels. Bourez conseguiu 6.77 e 7.47 para bater Buchan (14.23) e Cathels (13.23).

A próxima chamada do 2016 Billabong Pipe Masters será nesta quinta-feira (15), às 15h30 de Brasília.

Round 1 – Resultados:
Bateria 1
Julian Wilson (AUS) 15.07 x Wiggolly Dantas (BRA) 8.60 x Ryan Callinan (AUS) 5.50
Bateria 2
Miguel Pupo (BRA) 11.40 x Kolohe Andino (USA) 9.33 x Bede Durbigde (AUS) 5.40
Bateria 3
Matt Wilkilson (AUS) 13.34 x Frederico Morais (PRT) 13.27 x Nat Young (USA) 12.40
Bateria 4
Jordy Smith (ZAF) 12.60 x Keanu Asing (HAW) 10.83 x Finn McGill (HAW) 10.50
Bateria 5
Gabriel Medina (BRA) 15.10 x Kanoa Igarashi (USA) 11.24 x Bruce Irons (HAW) 3.40
Bateria 6
John John Florence (HAW) 16.66 x Jadson André (BRA) 10.27 x Gavin Beschen (HAW) 7.84
Bateria 7
Alex Ribeiro (BRA) 11.27 Adriano de Souza (BRA) 10.54 x Conner Coffin (USA) 10.27
Bateria 8
Jeremy Flores (FRA) 9.00 x Stuart Kennedy (AUS) 9.00 x Joel Parkinson (AUS) 8.77
Bateria 9
Felipe Toledo (BRA) 12.34 x Josh Kerr (AUS) 12.03 x Adam Melling (AUS) 9.37
Bateria 10
Kelly Slater (USA) 12.70 x Kai Otton (AUS) 11.90 x Caio Ibelli (BRA) 11.50
Bateria 11
Italo Ferreira (BRA) 10.50 x Sebatian Zietz (HAW) 10.20 x Jack Freestone (AUS) 9.07
Bateria 12
Michel Bourez (PYF) 14.24 x Adrian Buchan (AUS) 14.23 x Davey Cathels (AUS) 13.23