Com ondas de 15 metros, diferentes gerações brasileiras quebram no Nazaré Challenge

Ondas chegaram aos 15 metros em Nazaré. Crédito da foto: Dora Anderáos.

Na primeira etapa da história do Big Wave Tour realizada em Nazaré e com bombas de 15 metros, os dois brasileiros presentes no evento avançaram até a grande final. O veterano Carlos Burle terminou na segunda colocação, enquanto o novato Pedro Calado garantiu o quarto lugar. Burle subiu duas posições no ranking e assume a quarta colocação do BWT, enquanto Calado subiu para a vice-liderança.

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O resultado reflete mais uma vez o talento do veterano Carlos Burle, de 49 anos, e reforça o potencial de Pedro Calado, que com apenas 20 anos e em seu primeiro ano de Tour, chegou a todas as finais na atual temporada.

“Estou muito orgulhoso do meu corpo. Foi um evento duro, com tempo muito frio, ondas gigantes e sendo massacrado o dia inteiro. Fiz a final e cheguei perto da vitória, contra os melhores caras do mundo. Esta é a minha última temporada como competidor, mas guardarei esta ótima lembrança e espero deixar um legado para a próxima geração. Espero que ela dê o seu melhor, como fiz em todos os dias da minha vida. Nazaré é uma onda incrível e era uma questão de tempo até que as pessoas reconhecessem isso. Estou muito feliz por fazer parte deste evento e sinto que haverá muito mais”, disse o pernambucano.

O pico

Apesar de debutar no BWT, a Praia do Norte é parada obrigatória de big riders há muito tempo. Está localizada no município de Nazaré, na região oeste de Portugal e ao norte de Lisboa. O lugar é privilegiadíssimo, pois está sob efeito do ‘Canhão de Nazaré’, uma falha tectônica na placa continental de 170 quilômetros de comprimento e cinco de profundidade. O Canhão canaliza, praticamente sem obstáculos, as ondulações vindas do Oceano Atlântico, resultando em formações de até 30 metros de altura – mais ou menos um prédio de 10 andares.

O BWT

O Big Wave Tour é realizado pela WSL (World Surf League) e suas etapas só acontecem em condição especificamente extrema – formação de no mínimo 30 pés (aproximadamente 10 metros). As baterias contam com seis atletas na água, inclusive na final, e como no Circuito Mundial tradicional, apenas as duas melhores notas são contabilizadas. A diferença é que no BWT a melhor nota da somatória é multiplicada por dois.

Na atual temporada dois eventos já rolaram – no final de junho em Puerto Escondido, no México, e no início de novembro em Jaws, no Havaí.

O australiano Jamie Mitchell puxando ar e preparando o fôlego. Crédito da foto: WSL / Laurent Masurel.
O australiano Jamie Mitchell puxando ar e preparando o fôlego para a bomba de Nazaré. Crédito da foto: WSL / Laurent Masurel.

Nazaré Challenge

Únicos brasileiros no evento, Calado e Burle avançaram nas terceiras posições de suas baterias no round 1. Ambos tiveram suas maiores notas em direitas – Pedro marcou 4.13, enquanto Carlos ganhou 6.47 dos juízes.

Na primeira semifinal, Pedro Calado teve o seu melhor desempenho do dia. Restando apenas sete minutos para o fim, o carioca surfou uma boa direita e na sequência emendou um 8.00 – o high score do confronto. Na outra semi, Burle desceu uma morra quase verticalmente para tirar 6.83 e após ser mastigado por outra bomba, adicionou 1.67 em seu somatória e garantiu a segunda colocação.

Surfistas precisaram de tratamento médico durante o evento, mas sem complicações. Crédito do vídeo: WSL.

Mesmo com uma hora de bateria na grande final, Burle e Calado ‘só’ conseguiram achar uma onda surfável cada. Pedro pegou uma boa direita e conseguiu surfá-la até o final, somando 4.67. Já Carlos dropou uma grande esquerda, ficando um bom tempo nela, para somar 6.50.

O grande vencedor do evento, o australiano Jamie Mitchell surfou uma craca para a esquerda que lhe rendeu 8.67 e além desta notassa, ainda fechou o Nazaré Challenge com um 6.60. Mit subiu oito posições e aparece em 5º no ranking do Big Wave Tour. Pedro Calado é o vice-líder, enquanto Carlos Burle é o quarto.

Melhores momentos da final do Nazaré Challenge. Crédito do vídeo: WSL.

Muito emocionado na premiação, Carlos Burle dedicou o belo resultado a sua esposa portuguesa e destacou o quesito superação. “Estou muito feliz. Quero dedicar este campeonato e esta colocação para minha esposa Lígia, que está fazendo muita diferença na minha vida e é portuguesa. Ela simboliza a gratidão que eu tenho por este país. Sei que não sou o melhor aqui, mas fui bem hoje, pois estava em sintonia com a mãe natureza e superei meus limites. O surfe de ondas gigantes é sobre superar seus limites. Eu só tenho que agradecer pela oportunidade de praticar esse esporte que tanto amo”, finalizou.

 

Carlos Burle afirmou que superou seus limites e dedicou resultado à esposa portuguesa. Crédito da foto: Dora Anderáos.
Carlos Burle afirmou que superou seus limites e dedicou resultado à esposa portuguesa. Crédito da foto: Dora Anderáos.

Pedro Calado contou que foi sua primeira visita à Portugal, mas já sonha com o retorno em breve. “Estou muto feliz aqui em Portugal, este país que estou conhecendo pela primeira vez e já estou ansioso para voltar. Esse resultado é muito importante para mim no ranking”.

A próxima chance de vitória das duas talentosas gerações brasileiras provavelmente será em Todos os Santos, no México, no Todos os Santos Challenge. O evento tem janela de espera aberta até o dia 28 de fevereiro.

Confira a pontuação da finalíssima em Nazaré:
1. Jamie Mitchell (AUS) – 23.94
2. Carlos Burle (BRA) – 13.00
3. João de Macedo (PRT) – 10.84
4. Pedro Calado (BRA) – 9.34
5. Nic Lamb (USA) – 3.00
6. Antonio Silva (PRT) – 0.20

Confira o top 5 do Big Wave Tour
1. Grant Baker (ZAF) – 25.018
2. Pedro Calado (BRA) – 21.943
3. Greg Long (EUA) – 21.921
4. Carlos Burle (BRA) – 18.175
5. Jamie Mitchell (AUS) – 15.690