Final do Super 8 de Rugby tem torcidas uniformizadas, decisão nos drop goals e promessa paga por técnico

Rugby
Crédito da foto: João Neto/Fotojump/CBRu

O rugby vem ganhando espaço no Brasil ano após ano. Em 2016, virou esporte olímpico e ganhou a atenção dos torcedores nos Jogos do Rio de Janeiro. No sábado (5), o país viveu sua primeira decisão importante na modalidade depois das Olimpíadas: o Super 8, equivalente ao Campeonato Brasileiro do esporte. Os protagonistas: Desterro-SC e Curitiba, que se enfrentaram no Estádio do Canindé, em São Paulo.

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Nas arquibancadas, clima de decisão, apesar da presença pequena de fanáticos. Torcidas uniformizadas e tudo mais. Porém o ambiente foi bem amistoso, longe das brigas que assombram o futebol, por exemplo. Antes da partida, do lado de fora, as pessoas se aglomeravam em grupos e faziam cânticos para seus times, tudo regado à cerveja e muita animação, assim como acontece em outros países. Até batucada teve. Eram poucos, mas muito loucos e barulhentos.

Já dentro de campo, muito equilíbrio no duelo. Nenhuma equipe disparou o placar e os primeiros pontos foram feitos em penais: 3 a 3. Depois, os catarinenses abriram 6 a 3 em outro penal. Na etapa inicial, nenhum try fez a alegria dos torcedores, de tão acirrado que o confronto estava. Somente no segundo tempo que o try deu as caras, de forma polêmica. Ele só foi validado depois de análise de vídeo (permitido no rugby). Assim, os curitibanos abriram 10 a 6, após chute de conversão.

O Curitiba chegou a fazer 13 a 6, mas viu o Desterro ressurgir no jogo e conseguir o empate no finalzinho, em try também validado por vídeo e, na sequência, na conversão. Assim, restou decidir o campeão na prorrogação. Com os times já cansados, não produziram muito. Mesmo assim os paranaenses tiveram a chance do título com penal de Chicho, porém o chute parou na trave.

Com a noite caindo e os refletores acesos no Canindé, o duelo foi para os drop goals (penais). Mais uma vez o cansaço exalou nos jogadores. Quem errasse menos ganharia, e quem mostrou isso foi os curitibanos, que acertaram dois penais e venceram por 15 a 14 (2 a 1 nos drop goals). O Touro, como é conhecido o Curitiba, derrubou todo mundo e garantiu o bicampeonato em sua história. Além de 2016, a equipe faturou o Brasileiro de Rugby em 2014.

Após a conquista, até promessa foi paga. O treinador do Curitiba havia prometido que rasparia sua longa barba em caso de título. Dito e feito. Maquininha na mão e cara “limpa”. Extravaso de um lado, frustração do outro, mas tudo isso no calor da partida. No fim, festa de ambos os lados, celebrando um único ideal: o rugby brasileiro, que vem crescendo cada vez mais. Rolou até foto juntos. Quem ganha é a modalidade. o título, na verdade, é tanto do Curitiba quanto do Desterro.



Jornalista desde 2012, ex-Diário do Grande ABC e NET Cidade. Atualmente como repórter colaborador no site Torcedores.com.