FIFA veta que investidores negociem atletas, mas o seu clube também deve agir; entenda

 

A FIFA vetou a intermediação de investidores nas negociações de atletas e espera que esses grupos estejam banidos do futebol daqui a seis ou oito janelas de transferência (aproximadamente 3 a 4 anos), o que pode provocar uma mudança radical no futebol brasileiro.

Jogadores como Paulo Henrique Ganso, Gil e muitos outros espalhados por aí tem seus direitos federativos vinculados a esses empresários que, sem pertencer a um clube, são movidos por interesses próprios que nem sempre estão alinhados ao que o futebol precisa.

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Dentro de uma lógica em que o dinheiro precisa circular para gerar renda, os atletas pertencentes a esses intermediários devem estar em periódica mudança de clube. No entanto, tal rotatividade não é benéfica aos times de futebol que, muitas vezes, ficam como verdadeiras barrigas de aluguel.

A medida tomada pela FIFA visa a eliminação desses indivíduos das negociações de atletas, permitindo que apenas os clubes envolvidos tratem disso. A situação parece lógica e positiva, mas, no caso do futebol brasileiro, pode não resolver a situação já que a migração desses empresários ou de laranjas para dentro dos times é algo que ocorre.

Hoje, empresas com Traffic e DIS, por exemplo, são administradas por indivíduos sob uma personalidade jurídica própria e dissociada dos clubes. Contudo, o veto dado pela FIFA impede que essas organizações atuem nas negociações, mas não cria por si só barreiras para que as pessoas que enriquecem com isso fiquem de fora do futebol.

No caso do Brasil, especificamente, a tendência é que essas pessoas migrem para os clubes falidos e, por incrível que pareça, pode haver um interesse dos próprios times nisso. Com grandes dificuldades financeiras, as equipes do futebol brasileiro se veem cada vez mais necessitadas de doações dos sócios beneméritos, logo, com a proibição da FIFA, as empresas que intermediam as negociações podem simplesmente transferir sua estrutura pessoal para dentro dos clubes.

É preciso que sejam tomadas outras medidas além do veto da FIFA. A decisão da organização máxima do futebol é um pontapé inicial na resolução de um problema muito arraigado no Brasil, mas só ela não o eliminará por completo. Historicamente se diz que a libertação dos escravos o dia 13 de maio de 1888 não acabou com a situação precária de vida dos libertos que, apesar de juridicamente livres, permaneceram presos a situações aviltantes. Se o futebol brasileiro não criar mecanismos para implementar na prática o veto da FIFA, daqui a seis ou oito janelas, estará do mesmo jeito: escravizado pelos empresários.